quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Spore

Um dos mais ansiados projectos na história da indústria dos videojogos está prestes a sair. Chama-se Spore e chega-nos através da Electronic Arts pelas mãos do designer Will Wright, o mesmo do aclamado SimCity e de vários outros do género como SimAnt, SimFarm, SimMars, sendo o último, o famoso The Sims em que controlávamos a vida de uma família. O franchising rende 18 mil milhões de dólares ao ano, superando até os números de Hollywood. A ideia do jogo é dar ao utilizador uma experiência de vida no Universo, desde os seres unicelulares até às civilizações interestelares.

O jogo começa com um meteoro a chocar com o planeta, propagando matéria orgânica pelos oceanos. O jogador começa com um ser muito simples e começa por escolher comer outros seres, vegetação, ou ambos. A criatura vai crescendo, vão-se ganhando pontos de DNA que são usados para acrescentar, por exemplo, uma cauda para nadar melhor, ou espinhos para se defender. Quando o animal já for grande e complexo o suficiente, está pronto para passar para a terra, onde pode desenvolver patas, asas ou outras partes, altura em que, segundo dizem, o jogo começa mesmo a “bombar”. A Electronic Arts criou um software no seu website para “construir” novas criatura, com a finalidade de povoar os planetas de cada jogador com vida, e ao que parece, já vai em 3 milhões de espécies diferentes. Dois biólogos evolucionistas, e professores na Universidade de Yale, Thomas Near e Richard Prum, passaram umas quantas tardes a testar o Spore. Apesar de terem algumas reservas em relação ao projecto, uma vez que a evolução do organismo que controlamos não tem muito a ver com a real evolução das espécies, ambos admiram a maneira como o Spore aborda as grandes questões evolutivas com que os estudiosos se deparam actulamente, como a origem da complexidade. Embora seja muito difícil aplicar num computador a evolução de milhões de espécies durante milhões de anos, a matemática ajudou e muito a estudar a sua dinâmica, começando com simples equações no início do século XX. O uso de modelos científicos actuais, muito mais complexos e sofisticados, apoiados em inúmeros factos e trabalhando com muitas variáveis, a que chamam “game theory”, permite que os organismos evoluam usando diferentes estratégias que serão melhores ou piores face a factores como a selecção natural, a cooperação Humana ou as relações entre parasita e hospedeiro, por exemplo. A evolução não se resume a matar ou ser morto. Se acabarmos por ser um carnívoro, vai haver muitos mortos mas também a necessidade de criarmos alianças. Tal como na realidade, um dos factores que se vai tornando mais complicado ao longo do tempo, é o equilíbrio entre a cooperação e a competição. Esta complexidade organizacional permite-nos passar ao próximo nível. Para além do Dr. Near e do Dr. Plum, vários cientistas já experimentaram o jogo e a opinião é generalizada. É preciso que as pessoas não se confundam e não pensem que a evolução é como uma caminhada unidimensional, desde o ser unicelular ao inteligente, mas sim como uma árvore com milhões espécies, a crescer em diferentes direcções. Os pontos de DNA, não servem sequer de metáfora a uma evolução que se dá com o aparecimento de mutações que se espalham gradualmente pelas populações.

The Science Behind Spore

Dr. Plum: “There’s no progressive arrow that dominates nature.”

Dr. Near: “This may be totally off about how evolution works, but I’d much rather be dealing with a student who says, ‘O.K., I have no problem with evolution; I think about it the same way I think about gravity.’ If it does that, it’ll be great.”

Dr. Shubin: “The differences between Spore and nature do not bother me. I see Spore for what it is: a game. And it is a game in the best sense of the word. It is not identical to nature, but it is a world that evolves, that changes and where the players are part of those processes.”

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Eddie Murphy Delirious - 1983

Em 1983 tinha 22 aninhos, já entrava à 3 anos no Saturday Night Live e tinha-se estreado no cinema ao lado do Nick Nolte, com o buddy-movie 48 Hours. Neste vídeo, Eddie Murphy leva às lágrimas um estádio repleto de gente. Fala de orientação sexual, de carros de gelados, de mães disciplinadoras, da puberdade... e imita uns quantos cantores. Vi isto há uns 3 anos e lembrei-me de ir procurar, pena estar dividido em 7 partes... são quase 70 minutos, muito fixes. O homem dantes tinha piada (e ainda vai tendo), não era só de sermos putos.








segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A Take Magazine, o Batman e os Críticos

Depois de, surpreendentemente, ter abandonado o mercado a única revista portuguesa dedicada à 7ª arte (faz no próximo mês um ano), ficámos entregues aos suplementos de cultura dos diversos jornais diários e semanais lusitanos, que insistemente nos dizem que o cinema de autor é o único que vai valendo alguma coisa, principalmente se forem reposições de clássicos, filmes de culto ou simplesmente obras-primas. A vantagem da revista Premiere era a variedade de críticos que a integravam. Da gente nova à antiga, cada um conseguia ter o seu público alvo e era salutar a diversidade de opiniões. Suplementos como o Ípsilon levam muito boa gente (não é o meu caso) a desinteressar-se pelo trabalho dos críticos, e por conseguinte, pelo cinema em geral, devido a uma superioridade, quase obsessiva, expressa em alguns dos textos que levam os mais leigos ou desinformados a desvalorizar o trabalho do crítico e do cineasta. Apesar de ser um leitor assíduo do dito suplemento, convivo com bastante gente que o começou a olhar cada vez mais de lado, como fazem as galinhas. Opiniões à parte, mas redundando na expressão proferida anteriormente, o último caso foi o do novo Batman, que levou 2 em 5, de 3 dos críticos (o outro deu 4), sendo, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes de acção dos últimos anos, ou décadas (opinião generalizada em todo globo). Os problemas principais são o facto do género de acção ser tomado normalmente por bastardo e de se tratar do maior blockbuster dos últimos tempos. A verdade é que são dois factores que não usam trazer muito à 7ª arte, mas temos que separar as águas e reconhecer o que é bom, ao invés de nos refugiarmos em palavras como: o cenário não parece o da BD (então conseguiu o que queria), o argumento é muito complexo (vai ver outra vez), o filme é muito longo (larga o Xanax), o Joker não deixa o Batman ser o protagonista (é suposto serem os dois, palerma), faz-me lembrar este filme e aquele (fazes-me lembrar o adjectivo ressabiado). Isto tudo porque existe uma nova revista, a Take, mas, por enquanto, só na net. Não é assim tão nova porque já vai sair a nº7 em Setembro, mas só descobri há pouco tempo. Ainda não vi bem, mas boa ou não sempre é alguma coisa e tem umas quantas rubricas interessantes.

sábado, 30 de agosto de 2008

Vicky Cristina Barcelona - Excerpts From the Spanish Diary

Isto é um artigo que saiu há dias no New York Times, na altura da estreia do novo filme de Woody Allen. O Woody escreveu este diário ficcionado enquanto fazia o novo filme, onde fala sobretudo da sua relação com os actores que com ele trabalham. Vale a pena ler porque está bastante engraçado. Ainda sai humor daquela caneta... pelo menos no que toca a artigos para o jornal.

JAN. 2

RECEIVED offer to write and direct film in Barcelona. Must be cautious. Spain is sunny, and I freckle. Money not great either, but agent did manage to get me a 10th of 1 percent of anything the picture does over $400 million after break even.

Have no idea for Barcelona unless the story of the two Hackensack Jews who start a mail-order embalming firm could be switched.

MARCH 5

Met with Javier Bardem and Penélope Cruz. She’s ravishing and more sexual than I had imagined. During interview my pants caught fire. Bardem is one of those brooding geniuses who clearly will need a firm hand from me.

APRIL 2

Offered role to Scarlett Johansson. Said before she could accept, script must be approved by her agent, then by her mother, with whom she’s close. Following that it must be approved by her agent’s mother. In middle of negotiation she changed agents — then changed mothers. She’s gifted but can be a handful.

JUNE 1

Arrived Barcelona. Accommodations first class. Hotel has been promised half star next year provided they install running water.

JUNE 5

Shooting got off to a shaky start. Rebecca Hall, though young and in her first major role, is a bit more temperamental than I thought and had me barred from the set. I explained the director must be present to direct the film. Try as I may, I could not convince her and had to disguise as man delivering lunch to sneak back on the set.

JUNE 15

Work finally under way. Shot a torrid love scene today between Scarlett and Javier. If this were a scant few years ago, I would have played Javier’s part. When I mentioned that to Scarlett, she said, “Uh-huh,” with an enigmatic intonation. Scarlett came late to the set. I lectured her rather sternly, explaining I do not tolerate tardiness from my cast. She listened respectfully, although as I spoke I thought I noticed her turning up her iPod.

JUNE 20

Barcelona is a marvelous city. Crowds turn out in the streets to watch us work. Mercifully they realize I’ve no time to give autographs, and so they ask only the cast members. Later I handed out some 8-by-10 photos of myself shaking hands with Spiro Agnew and offered to sign them, but by then the crowd had dispersed.

JUNE 26

Filmed at La Sagrada Familia, Gaudi’s masterpiece. Was thinking I have much in common with the great Spanish architect. We both defy convention, he with his breathtaking designs and me by wearing a lobster bib in the shower.

JUNE 30

Dailies are looking good, and while Javier’s idea to add a massive Martian invasion scene complete with a thousand costumed extras and elaborate flying saucers is not a very good one, I will shoot it to make him happy and cut it in the editing room.

JULY 3

Scarlett came to me today with one of those questions actors ask, “What’s my motivation?” I shot back, “Your salary.” She said fine but that she needed a lot more motivation to continue. About triple. Otherwise she threatened to walk. I called her bluff and walked first. Then she walked. Now we were rather far apart and had to yell to be heard. Then she threatened to hop. I hopped too, and soon we were at an impasse. At the impasse I ran into friends, and we all drank, and of course I got stuck with the check.

JULY 15

Once again I had to help Javier with the lovemaking scenes. The sequence requires him to grab Penélope Cruz, tear off her clothes and ravish her in the bedroom. Oscar winner that he is, the man still needs me to show him how to play passion. I grabbed Penélope and with one motion tore her clothes off. As fate would have it she had not yet changed into costume, so it was her own expensive dress I mutilated. Undaunted I flung her down before the fireplace and dove on top of her. Minx that she is, she rolled away a split second before I landed causing me to fracture certain key teeth on the tile floor. Fine day’s work, and I should be able to eat solids by August.

JULY 30

Dailies looking rather brilliant. Probably too early to start planning Academy campaign. Still, a few notes for an acceptance speech might just save me some time later.

AUG. 3

I suppose it comes with the territory. As director one is part teacher, part shrink, part father figure, guru. Is it any wonder then that as the weeks have passed, Scarlett and Penélope have both developed crushes on me? The fragile female heart. I notice poor Javier looking on enviously as the actresses bed me with their eyes, but I’ve explained to the boy that unbridled feminine desire for a cinema icon, particularly one who wears a sneer of cold command, is to be expected. Meanwhile when I approach the set each morning bathed and freshly scented, between Scarlett and Penélope there is a virtual feeding frenzy. I never like mixing business with pleasure, but I may have to slake the lust of each one in turn to get the film completed. Perhaps I can give Penélope Wednesdays and Fridays, satisfying Scarlett Tuesdays and Thursdays. Like alternate-side parking. That would leave Monday free for Rebecca, whom I stopped just in time from tattooing my name on her thigh. I’ll have a drink with the ladies in the cast after filming and set some ground rules. Maybe the old system of ration coupons could work.

AUG. 10

Directed Javier in emotional scene today. Had to give him line readings. As long as he imitates me he’s fine. The minute he tries his own acting choices he’s lost. Then he weeps and wonders how he’ll survive when I’m no longer his director. I explained politely but firmly that he must do the best he can without me and to try to remember the tips I’ve given him. I know he was cheered because when I left his trailer, he and his friends were howling with laughter.

AUG. 20

Made love with Scarlett and Penélope simultaneously in an effort to keep them happy. Ménage gave me great idea for the climax of the movie. Rebecca kept pounding on the door, and I finally let her in, but those Spanish beds are too small to handle four, and when she joined, I kept getting bounced to the floor.

AUG. 25

End production today. Wrap party as usual a little sad. Slow danced with Scarlett. Broke her toe. Not my fault. When she dipped me back, I stepped on it.

Penélope and Javier anxious to work with me again. Said if I ever come up with another screenplay to try and find them. Goodbye drink with Rebecca. Sentimental moment. Everyone in cast and crew chipped in and bought me a ballpoint pen. Have decided to call film “Vicky Cristina Barcelona.” Studio heads have seen all the dailies. Apparently they love every frame, and there is talk of opening it at a leper colony. It’s lonely at the top.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Mais 5 trailers

No novo filme do Adam Sandler, ele é um agente especial israelita que encena a sua morte, para poder "renascer" em Nova York como cabeleireiro.

You Don't Mess With The Zohan


O novo do Woody está quase a chegar e já tem novo trailer, sem ser como o primeiro que eram só imagens com musiquinha. Javier Bardem, Penelope Cruz e Scarlett Johansson nos principais papéis.

Vicky Cristina Barcelona


Primeira longa-metragem de Martin McDonagh (ganhou óscar com Six Shooter, uma curta de 2004 e único filme do realizador até à data). Com o Colin Farrel, Ralph Finnes e Brendan Gleeson, tem tido excelente críticas um pouco por todo o lado.

In Bruges


O Novo de Sidney Lumet sobre um assalto a uma joalharia que corre mesmo muito mal para os intervenientes, com Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney e Marisa Tomei.

Before The Devil Knows You're Dead


Para acabar, segundo dizem, filmaço de Fatih Akin.

The Edge Of Heaven

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Mr. Jordan

A secção de desporto anda um bocado fraquinha, nada melhor que falar do melhor basquetebolista de todos os tempos: Michael Jeffrey Jordan. Com 1,98m e 98 Kg era, e é, conhecido mundialmente como "Air Jordan". Se controlava a gravidade e caminhava pelo ar, segundo os entendidos na matéria, nada podemos advogar... falo por mim. Foi o MVP (Most Valuable Player) da NBA em 5 anos (ok, o Abdul Jabbar foi em 6), mas foi o MVP das finais em 6, único! Marcou 69 pontos num jogo e fez uma média de 30,1 pontos em 15 temporadas, isto é insuperável! Talvez não, mas tenho tempo para esperar para ver. Deixo aqui uns vídeos. Nenhum é muito grande, por isso VALEM A PENA ver:

Top 10, em que nem é preciso estar de frente para o cesto para que a bola entre e, na maior parte das vezes, ainda sacar uma falta:


Top 10 de afundanços


Top 10 de afundanços: alguns são iguais, mas o melhor deste não aparece nos 10 do outro...


Maior duelo de sempre nos concursos de afundanços!
(Vs. Dominique Wilkins)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Batman de Burton - Parte II

Três anos depois, Batman regressa, de novo com Michael Keaton no papel do homem-morcego. Apesar de já não termos Jack Nicholson, esta sequela apresenta um elencuo mais “composto”: Danny DeVito no papel do grotesco Penguin, Michelle Pfeiffer como a lângida Catwoman e Christopher Walken que encarna o megalómano Max Shreck, um homem de negócios corrupto que apoia Penguin na sua candidatura a Mayor, enquanto tentam destruir a imagem "veneratória" que a população de Gotham City tem de Batman. A misteriosa Catwoman, que apresenta um distúrbio de personalidade idêntico ao do herói, alterna ambiguamente entre o papel de vilã e o de companheira de Batman enquanto este tenta limpar o seu nome e ver-se livre dos mal-feitores. A visão que Burton nos dá de Gotham era a que se esperava após o primeiro filme. Em relação ao de estreia, apercebemo-nos que Michael Keaton tornou a sua personagem mais trabalhada, mais complexa, mais redonda, muito fruto da ausência do Joker, que o deixa aqui como o único protagonista. A personagem feminina também é mais influente que no primeiro, dando uma carga mais psicológica à relação com o herói, e Christopher Walken, que tem como maior problema escolher os seus papéis, se tem pela frente um bom, torna-o geralmente melhor. Qual é melhor? Apesar de não serem irmãos gémeos, Burton mostra-os como sósias. A prova é que vivem lado a lado no nosso imaginário cinematográfico, onde não constam as duas sequelas seguintes, que roçam, a espaços, o execrável. O argumento também não é brilhante e os resquícios da década passada já não se fazem notar. Apesar de muito aguardado, após o sucesso do primeiro, só os fãs rejubilaram na estreia, talvez por causa da epidemia quase generalizada da anti-sequela. Possivelmente não se completam, mas estão bem um para o outro… 7,5/10.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Batman de Burton - Parte I

Depois da estreia de Dark Knight e de todo o burburinho criado à sua volta, e antes de alguém falar por aqui do, excelente, novo filme de Christopher Nolan, vale a pena relembrar os, já antigos, filmes de Tim Burton sobre o herói da BD, no dia em que completa os redondos 50 anos. Um ano depois de se ter dado a conhecer como uma promessa da sétima arte, com o devaneio estilistico de Beetle Juice, adaptou ao cinema um dos heróis mais afamados da história da banda desenhada, Batman. A personagem já tinha sido adaptada nos anos quarenta ao pequeno ecrã, através de duas séries, mas apresentava-se muito marcada pela segunda guerra mundial e pelo americanizado sentimento anti-nipónico. Nos anos sessenta surgiu mais uma série e posteriormente um filme, mas desta feita a apostarem num spoof comercial para fazer rir as massas, que para além de mal conseguido, irritou por demais os aguerridos fãs da nona arte.
Michael Keaton, que já tinha sido Beetlejuice, veste a pele do super-héroi e o “Sr. Cinema” Jack Nicholson faz o vilão do sorriso plástico, Joker. Tim Burton cria uma Gotham City escura, soturna, selvagem, perigosa e sem escrúpulos, protegida por uma policia corrupta que acaba por perder as réstias de sanidade quando Jack Napier, um individuo desfigurado após um tiroteio numa fábrica de produtos químicos, regressa disfarçado de palhaço, como o príncipe do crime, Joker. O playboy bilionário Bruce Wayne, que assistiu ao assassínio dos seus pais em criança, é agora a única esperança da caótica Gotham, personificada no vigilante homem-morcego. O filme conta ainda com Kim Basinger no papel de Vicki Vale, uma jornalista que segue os passos de Batman enquanto se apaixona por ele, ao mesmo tempo que sente despertar em si, o mesmo sentimento por um tal de Bruce Wayne. O filme foi um grande sucesso comercial e os fãs dos comics reconheceram o esforço do realizador em fazer a melhor adaptação possível ao cinema. Apesar da imensidão de seguidores e da projecção mediática que obteve, não é o melhor exemplo do thriller de acção que nos deixa preso à cadeira do principio ao fim. O rigoroso trabalho de Burton ao recriar o ambiente presente na banda desenhada, retira-lhe alguma fluência cinematográfica, mas confere-lhe um estilo único e genuíno. As personagens respiram aos quadradinhos e como o próprio Jack referiu: “The thing I like about The Joker is that his sense of humor is completely tasteless”. Nota: 7,5/10. O argumento podia ser melhor, e o guarda-roupa cheirar menos aos 80’s, ainda assim Tim Burton cria um marco (menor) na história da 7ª arte.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Saramago de Volta

A Fundação Saramago anunciou ontem que o novo livro do Nobel da Literatura em 1998, “A Viajem do Elefante”, está pronto e vai ser lançado no Outono, coincidindo assim, com a estreia de “Blindness”, o novo filme de Fernando Meirelles que chega às salas a 13 de Novembro, adaptação do genial “Ensaio Sobre a Cegueira”. No último livro de Saramago editado em 2006, “As Pequenas Memórias”, contava-nos as suas memórias da infância e da adolescência. Trata-se dum livro menor, tendo em conta a relevância das suas outras obras, e já foi escrito “na mais deplorável situação de saúde, nada propícia a sentimentos de alegria”, nas palavras do autor. A doença do Nobel demorou meses a ser identificada e atingiu uma gravidade tal que se chegou a pensar o pior. Saramago conseguiu, no entanto, superar as adversidades, e terminou este novo livro de 240 páginas que demorou cerca de dois anos a escrever. Em comunicado, a sua mulher Pilar del Río falou sobre a obra: “Saramago restabelecido e com novas energias pôs o ponto final numa narração que a ele não lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem ao mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no século XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa. A ideia de escrever este livro tem mais de 10 anos e surgiu quando Saramago visitou a Áustria e entrou, em Salzburgo, num restaurante chamado "O Elefante". Não é um livro mais, é o livro que estávamos esperando e que chegou a bom porto, o leitor. Salomão, o elefante, não teve tanta sorte, mas disso não falarei, aguardemos o Outono, e então sim: aí, em vários idiomas simultaneamente, poderemos comentar páginas, aventuras, desenlaces. Os materiais da ficção, que são também os da vida”. Quem não conseguir aguentar a espera, dê um salto ao Blog sobre o senhor onde a esposa escreve. Ao que parece já se pode dar uma olhadela a uma pequena parte do livro.

Já tinha sido postado o trailer do Blindness, pequeno e com pouco para mostrar. Já não é o único, aqui têm um mais esclarecedor (apesar de dizer que são 7 minutos e 28, depois dos 2 e 29 não tem mais nada):


terça-feira, 19 de agosto de 2008

Remoçar Extinto

"Diz-me se voltaste para ficar, exigiu atónito ao espelho. Forjaste a passagem de novo, passados anos de clausura e esquecimento. Sorriu sem querer e levou à boca o último pedaço de língua. À sua volta tudo parecia voltar ao que havia sido em tempos. Recolhido na prateleira, o retrato de Lilia voltou a cair, já corria vento pela janela e as manchas negras desapareceram por completo da sua alma, do seu corpo e do seu quarto. Pela primeira vez em décadas queria falar com alguém. Saber do mundo e das pessoas. Perguntava-se se não seria tempo de voar como os pássaros, apesar de ainda ter muito para conhecer na Terra. Lembrou-se, então, do seu velho amigo Rodrigo. Um erudito como ele, saberia com certeza aconselhá-lo a seguir o caminho mais feliz, ou então o que tivesse um fim mais feliz, ou então aquele onde a escassa felicidade não conduzisse à infelicidade. Rodrigo tinha corrido o Mundo, escalara a mais alta das montanhas, mergulhara no mais profundo dos oceanos, bebera do sangue sagrado de Deus, mas daquele que dá por vários nomes. Rodrigo era astuto, ávido de conhecimento, estivera com mais de 100 mulheres na altura e não conseguia estar quieto. Talvez tivesse medo de si próprio. Prescrito o acto, reduzida a ânsia e retratada a dor, renasceu o corno polido e brilhante de orgulho. A realidade ultrapassara a decepção. Era como um admirável mundo novo já vivido e já sofrido, com cicatrizes dissimuladas, urdidas pelo tempo. O velho boneco de trapos voltara a sorrir, já não lhe fazia falta outro botão para ver melhor."