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domingo, 2 de novembro de 2008

Tintin

Les Aventures de Tintin, era assim que se chamava a famosa banda desenhada, depois adaptada ao pequeno ecrã, da autoria do desenhista belga Hergé. Tintin nasceu em 1929 e viveu as mais variadas aventuras ao lado do seu fox terrier Milu, até meados da década de 70. Tintin era um jovem repórter que se envolvia constantemente em casos de investigação criminosa e conspiração política. Apesar de se encontrar na fase da adolescência (ou juventude) era muito perspicaz, e apresentava elevados padrões morais aliados a uma imagem de inocência. A longevidade da obra e os temas abordados levaram a que personagem transpirasse a visão que o seu autor tinha do mundo, já tendo sido por várias vezes acusada de racista. Tintin no Congo (altamente influenciado pelo colonialismo) e Tintin no País dos Sovietes (marcadamente anti-soviético) são os dois casos mais flagrantes. Mas porquê falar no Tintin? Ao que parece o Spielberg é grande fã da série e já tinha dito há bastante tempo que queria fazer uma longa metragem. Estaria tudo tratado com a Paramount se não viesse o Peter Jackson dizer que também estava interessado no projecto. Não há qualquer problema, ao que tudo indica a Paramount e a Sony já chegaram a acordo e vão produzir dois filmes ou possivelmente três. Assim, Spielberg realiza um, Jackson outro e fica a faltar um terceiro para completar a trilogia. A Paramount distribui nos States e nos outros países de língua inglesa e a Sony fica com o resto. Caso se tratasse dum díptico, era suposto ser lançado em conjunto, em 2010, mas como o Spielberg e o Jackson já escolheram 3 histórias entre as 23, vai haver mesmo trilogia. Quanto há imagem, fala-se duma extravagância 3-D ainda não vista, cá ficamos à espera.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Berlim: Reconstrução Crítica

O Artecapital fala assim:

"BERLIM: Reconstrução Crítica 4-8 NOV 08 PORTO Livro / Ciclo de Cinema / Seminário Internacional de Arquitectura No momento em que se aproximam os 20 anos da Queda do Muro, "BERLIM: Reconstrução Crítica" pretende ser um espaço de debate sobre a história da arquitectura e do urbanismo do século XX, através da reflexão crítica da mítica experiência urbana de Berlim. O sub-título do evento 'Reconstrução Crítica' remete para duas interpretações - uma alusão directa ao método de planeamento urbano Kritischer Rekonstruktion desenvolvido pelo arquitecto Josef Paul Kleihues, nos anos 80, durante a Internationale Bauausstellung – IBA; e uma vontade de reconstruir criticamente Berlim, de regressar à sua história, aos seus dilemas, às suas polémicas, reavaliando e debatendo os seus resultados.
Ciclo de Cinema / Cinema Passos Manuel / 4-7 NOV 08 O Ciclo de Cinema apresenta um conjunto óbvio de quatro filmes incontornáveis, pontos de referência na linha da história de Berlim, que serão analisados e contextualizados por intelectuais apaixonados pelo cinema e pela cidade.
Seminário Internacional de Arquitectura / Auditório de Serralves / 8 NOV 08
Através da leitura crítica do caso urbano de Berlim, um notável painel de conferencistas irá partilhar e debater a sua experiência de confronto com a densa história da cidade, procurando criar um plano de reflexão comum que sirva de base a outras questões. Berlim surge assim como pretexto, como um óculo através do qual poderemos reflectir sobre a cidade contemporânea, focando, por exemplo, a memória e a identidade de uma cidade confrontada com a destruição, como o Ground Zero em Nova Iorque ou o Chiado em Lisboa.
'BERLIM: Reconstrução Crítica' / Edição Circo de Ideias
O Livro apresenta textos de reflexão ou projectos para Berlim da autoria dos participantes presentes no seminário e ciclo de cinema."

O livro vai ser lançado no dia 4 de Novembro, no Passos Manuel, pelas 21h00. Quanto ao ciclo de cinema, as quatro películas são as seguintes:

04/11/08 - 21h30
Berlim, Sinfonia de uma Grande Cidade
Walter Ruttman, 1927
Analisado por Nuno Portas

05/11/08 - 21h30
Germania, Anno Zero
Roberto Rosselini, 1947
analisado por Abílio Hernandez Cardoso

06/11/08 - 21h30
Asas do Desejo
Wim Wenders, 1987
Analisado por Pedro Barreto

07/11/08 - 21h30
Berlin Babylon
Hubertus Siegert, 2001
Analisado por Hubertus Siegert

O seminário do dia 8 de Novembro, estende-se das dez da manhã às oito da noite e encontra-se dividido em três sessões:

Sessão 1 - Memória e Identidade em Berlim, moderado por Jorge Figueira.
Sessão 2 - Projectar em Berlim, moderado por Luís Tavares Pereira
Sessão 3 - Política Urbana em Berlim, moderada por Nuno Grande

A participação no seminário internacional "Berlim: Reconstrução Crítica" confere 3 créditos de formação obrigatória opcional, conforme previsto no Regulamento de Admissão na Ordem dos Arquitectos. Para mais informações consultem o blog. Para se inscreverem carreguem aqui.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Manoel de Oliveira

O cineasta mais idoso ainda no activo comemora este ano um centenário de existência e o Museu de Serralves decidiu homenagea-lo. Já começou a 12 de Julho, mas vai decorrer até 2 de Novembro, a primeira mostra do trabalho do realizador.

Comissariado: João Bénard da Costa / João Fernandes
Produção: Fundação de Serralves

VISITAS GUIADAS
> 24 JUL (Qui), 18h30, por João Bénard da Costa e João Fernandes
> 09 SET (Ter), 18h30, por João Fernandes
> 25 SET (Qui), 18h30, por Eduardo Paz Barroso
> 05 OUT (Dom), 18h30, por Luís Miguel Cintra
> 14 OUT (Ter), 18h30, por António Preto

> Visitas aos Sábados às 17h00 e aos Domingos às 12h00, pela equipa do Serviço Educativo.
> Visitas diárias, mediante marcação prévia.

De 18 de Setembro a 9 de Novembro vão ser exibidos no auditório todas as curtas e longas de Oliveira, para ver e rever, acompanhadas de outras grandes obras do cinema mundial, de Hitchcock a Chaplin, Buñuel, Vigo ou Dreyer.

De 7 a 10 de Outubro, entre as 18:30 e as 21:00, vai decorrer um seminário coordenado por António Preto, mestre em Teorias da Arte na FBAUL, intitulado "Manoel de Oliveira: Moderno Paradoxal". O seminário, "propõe uma revisão crítica do cinema de Manoel de Oliveira, procurando analisar os mais importantes elementos formais, conceptuais e temáticos que estruturam a sua obra, fazendo emergir, por um lado, algumas das configurações mais características da estética do autor e evidenciando, por outro, o modo como a sua produção cinematográfica dialoga com o contexto histórico em que intervém".

Ainda sem data marcada vai haver um simpósio internacional dedicado à sua obra.

A sua actriz de eleição, Leonor Silveira, no clássico Vale Abraão

Como complemento, sobre a exposição, deixo aqui o artigo da Sílvia Guerra, do Artecapital:
Sagração e sacrifício
Existe o tempo e as palavras que repetidas nos interpelam para a vida na obra cinematográfica de Manoel de Oliveira. O Tempo no seu sentido de início do mundo, o in illo tempore, materializado em àrvores seculares como a do belíssimo plano longo de Non, ou a Vã Glória de Mandar (1990), ou as àrvores do Maranhão e da Baía, em Palavra e Utopia (2000). É o tempo que traz um cheiro a terra e a calor, sonho português em África ou no Brasil. Depois existe o tempo do sacrifício na imagem do eterno retorno de D. Sebastião, mão que sangra contra a lâmina da sua espada, voluntariamente, num acto de sagração (Non, ou a Vã Glória... ). Esta imagem retrata séculos de masoquismo nacional e fixa-se na memória, e continuo a acreditar que é no inconsciente individual e colectivo que o cinema vive e cria a(s) nossa(s) história(s).
As palavras podem ser:
- A mão!
- A caixa!
- Acudam!

Vocábulos simples que servem para nos reconduzir à vida dentro e fora do seu universo ficcional, num mundo falado.

Este autor que percorreu o século do cinema permanece ainda hoje como o amado e mal-amado do público português, basta verificar os tempos curtos de exibição dos seus filmes nas salas nacionais. Conhecido pelos tempos longos do seu cinema, é no Porto, sua terra natal que encontramos a primeira celebração do seu centenário, comemorado este ano com a exposição que lhe é dedicada no Museu de Serralves. Curada em parceria por João Fernandes e João Bénard da Costa (Director da Cinemateca Portuguesa e também actor nos filmes de Oliveira), esta exposição visa “levar a conhecer a todos os públicos a obra cinematográfica de Manoel de Oliveira”. A promessa é ambiciosa e esta é a primeira vez que uma instituição museológica portuguesa se confronta com um património cinematográfico de um autor vivo, com uma produção cinematográfica de mais de 40 filmes.

Assisti à apresentação para a imprensa da exposição onde estão presentes o cineasta e os dois comissários e constatei a lucidez e o humor caústico do autor nas respostas aos jornalistas.
“P - Como é a sua relação com a morte?
M.O. – Ainda não experimentei.”

Este é o Porto da sua infância e é difícil que seja pequena a nossa expectativa. A visita é guiada por João Fernandes, Director do Museu de Serralves, que salienta não se tratar de uma mostra documental da carreira de Oliveira mas de uma escolha de excertos de filmes que convidam o público a ver os mesmos. Na sala frontal de entrada nas exposições do Museu apresenta-se Douro, faina fluvial (1931), o único filme apresentado na íntegra, numa montagem feita em 1994 com a banda sonora “Litanie du feu et de la mer” de Emanuel Nunes. Nas nossas costas exibem-se, em duas projecções de dimensões mais pequenas, Berlim, Sinfonia de uma cidade (1927) de Walther Ruthmann e O homem da câmara de filmar de Dziga Vertov (1929).

Esta sala serviria por si só como uma homenagem a um século de cinema pelas mãos de três dos seus pioneiros. A exposição prossegue com uma galeria de retratos dos homens, mulheres e crianças que, sem terem sido actores, viveram as histórias de Manoel de Oliveira, interpretando alguns dos seus filmes; este é um dos aspectos realçados nesta escolha curatorial, a ficção dentro do real ou a relação entre o documentário e a ficção.

Esta é também uma das questões que tem sido debatida desde há mais de 50 anos no mundo da crítica cinematográfica mas que assume inesperadamente uma urgência no mundo da crítica de arte contemporânea, glosada por Jacques Rancière na Artforum Magazine americana ou por Mark Nash em “Reality in the age of aesthetics”, publicado na revista inglesa Frieze. O motivo deste súbito interesse deve-se talvez ao facto de neste momento a videoarte cruzar esta fronteira, em filmes como Gravesend ( 2007) de Steve McQueen. O cinema teve que ultrapassar o simplismo desta dicotomia antes da videoarte e esta irá seguramente encontrar outras formas de resposta à questão.

São mostrados excertos de Famalicão (1939), O Pintor e a Cidade (1956), O Pão (1959) e A Caça (1963) com os seus dois finais, o censurado e o aprovado pelo regime de Salazar. A direcção de actores de Manoel de Oliveira pode ser livre, como ele declara, dizendo que deixa os seus actores viver e não representar os seus personagens, mas a sua découpage retém apenas o que a sua narração ficcional determinou. Faltaria uma galeria paralela com os retratos dos actores que permanecem ligados indissoluvelmente ao universo de Oliveira como: Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Miguel Guilherme, Leonor Silveira, Beatriz Batarda entre tantos outros, só para referir os do panteão nacional.

A relação de Oliveira com a pintura, a literatura e o teatro é outro dos aspectos evidenciados nesta exposição, e são mostrados extractos de Acto da Primavera (1963), Benilde, ou a Virgem-Mãe (1975), Passado e Presente (1972). A variedade de registos linguísticos e artísticos foi sempre explorada pelo cineasta. O filme mais popular e talvez o único que tenha chegado a todas as gerações de portugueses, pertencentes a todos os níveis culturais, Aniki Bóbó (1942), é a chave que abre o corredor esquerdo do Museu. O filme é apresentado em duas projecções diferentes (com extractos emblemáticos) e num ângulo do espaço encontra-se uma réplica da boneca da Teresinha do mesmo filme. Nesta parte da exposição o dispositivo sonoro dos diversos ecrãs e projecções simultâneas é explosivo embora não se sinta o silêncio conseguido com as novas colunas de som, tipo tapete voador, que restringem o som a uma pequena área sobre a cabeça dos visitantes. Os filmes começam a ser disparados em diversos ecrãs e descendo a rampa deparamos com alguns curiosos engenhos de cenegrafia de exposição como o olho-óculo que nos permite ver à semelhança de um buraco de fechadura cenas de Amor de Perdição (1979).

Ao fundo deste corredor os Canibais (1988) assombra-nos numa projecção gigante. Surgem depois as cabanas de projecção numa estrutura cenográfica em madeira onde podemos ver alguns excertos de filmes reagrupados de novo por diversas temáticas. A exposição termina neste andar do Museu não prosseguindo como eu esperava no andar inferior. Mas resta salientar que será apresentado um ciclo com todos os filmes deste autor no auditório do Museu durante o mês de Setembro.

Manoel de Oliveira não é um cineasta nacional-nacionalista pois a sua relação de amor com o cinema e seus realizadores foi sempre aberta e internacional. Os seus guerreiros de “Non, ou a Vã Glória...” namoram os de Ran (1985) de Kurosawa, a sua Belle Toujours (2006) não desmistifica, antes pelo contrário adensa de contradições a teia de Buñuel, a sua Ema em Vale Abraão descobre os prazeres primordiais numa nascente literária partilhada por Balzac e Agustina Bessa-Luís. Manoel de Oliveira personifica no seu cinema o espírito europeu (basta ver a utopia do seu Filme Falado) que dificilmente é atingido de uma forma tão natural e democrática na política ou na sociedade.

Este autor que nunca fez filmes declaradamente políticos exprimiu a liberdade democrática em toda a sua obra, abordando como nenhum outro cineasta português a temática deste país como uma construção linguística, cultural e política desde o tempo das Descobertas (em termos muito diferentes de Teixeira de Pascoais, na Arte de ser português). Ver O Quinto Império- Ontem como hoje (2004) é um exercício cívico para qualquer português, uma necessidade política, mais profícua do que assistir a um debate de campanha eleitoral. Mas permanece um mistério difícil de desvendar na sua obra cinematográfica. O seu cinema é difícil de ser apreendido pois é sempre uma surpresa ouvir uma Ave Maria de Schubert tocada em guitarra portuguesa numa tasca em Alfama.

sábado, 20 de setembro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Criar Com o Que Há à Mão

O Ruben enviou isto para o mail, mas acho que também não fica mal aqui. Qualquer um pode ser artista, basta imaginação e criatividade. Fruta, pão e legumes são materiais como outros quaisquer.


quarta-feira, 28 de maio de 2008

O poder do desenho

Vejam estes dois exemplos daquilo que uma caneta ou um pincel coseguem fazer quando a imaginação e a paciência estão em alto nível.



Este é um vídeo do duo electrónico Minilogue e foi feito por este senhor.

O segundo é uma maravilha da arte urbana, simplesmente genial.



Descubram mais sobre o projecto e a pessoa em http://www.blublu.org/.

Bom resto de semana e por favor não vão a esse festival de marcas e centro comercial com banda sonora chamado Rock ao Rio.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Edvard Munch

12.12.1863 - 23.01.1944

Edvard Munch foi um dos pintores mais influentes dos últimos séculos como um dos precursores do expressionismo alemão, apesar de ser norueguês. Estudou em Oslo onde foi influenciado por nomes como Courbet, Manet, Ibsen e Bjornson que conferiram ao inicio da sua obra um cariz predominantemente social. Depois desta fase, Munch vira-se para si e começa a pintar a dor, a doença, o sofrimento, a solidão, o desespero e a morte que o acompanharam durante a sua infância. Munch que perdera a mãe, duas irmãs e tinha ainda outra com deficiência mental, deu início a esta temática em 1885 com “A Rapariga Doente”. Mais tarde conheceu a obra de Van Gogh e Gauguin, e em 1892 marcou a história da arte alemã e a sua carreira, quando foi convidado a expor em Berlim e deu início a um projecto intitulado “O Friso da Vida”. Munch, que tinha sido influenciado por um estilo pós-impressionista, não se queria limitar a pintar a realidade externa, mas queria que as suas telas fossem mais emocionais, que representassem um estado de espírito, queria criar uma atmosfera mais tensa e intensa, queria ser mais expressivo. Em 1893 pintou a sua obra mais famosa, “O Grito”.

O simbolismo que Munch confere à sua obra conduz às mais variadas interpretações dos apreciadores, mas a instabilidade emocional do autor é patente nas suas telas. Alguns historiadores de arte defendem que o tom avermelhado no fundo, representa o efeito da atmosfera ao entardecer, depois da erupção do vulcão da Indonésia, na Cracatoa. O Grito foi proibido pelo regime nazi (denominado de arte demente), bem como o resto da sua obra. Tornou-se mais tarde um ícone da cultura popular, quase ao nível da Mona Lisa de Da Vinci, sendo um dos quadros mais produzidos de sempre, apareceu na Time Magazine, foram comercializados bonecos insufláveis, entra por duas vezes na série “The Simpsons”, num episódio de "Beavis and Butt-Head", Andy Warhol realizou uma série de trabalhos dedicados à obra e foram feitos filmes como a série “Scream” e a “Scary Movie” em que máscara do assassino apresenta uma semelhança evidente. A sua popularidade levou a que fosse roubado por diversas vezes, tendo sido recuperado em Agosto de 2006. Durante esta fase, Munch envolveu-se num círculo de artistas, escritores e críticos, entre os quais se incluía Strindberg, e começou a interessar-se pela gravura, começou a fazer litografias e também fotografias. A bebida excessiva, as alucinações e o sentimento de perseguição, fizeram com que fosse internado numa clínica onde fez uma terapia à base de choques eléctricos, e donde saiu oito meses depois menos pessimista e mais interessado pela natureza e as suas cores. Em 1914 inicia um projecto para a decoração da Universidade de Oslo e termina a sua carreira, fazendo das suas últimas obras uma espécie de resumo das preocupações da sua existência. Um dos meus quadros preferidos dele chama-se Madonna (1894-1985) e está em baixo.

Para os mais interessados têm aqui estes links:

Museu Munch

Edvard Munch

Galeria Virtual

quarta-feira, 12 de março de 2008

Bansky , graffiti e arte urbana





Não me considerando especialista ou conhecedor do mundo das artes, não tenho amigo(a)s artistas pseudo ou não, não faço parte de nenhuma "cena", nem sequer sou convidado ou vou a inaugurações de galerias. Também não percebo assim tão bem o que é uma performance ou uma instalação, e já assiti a algumas, apenas sou daquelas pessoas que diz se gosta ou não. Esta pequena e irrelevante introdução só para que não me rotulassem de pretencioso no primeiro post como convidado de uma terra de idiotas que apesar de não ser a minha (é mais de parolos) sinto bastante afinidade. E ver aqui terra como concepto e não como espaço físico.
Vamos lá ao que interessa. Se há alguém que posso considerar um génio dentro daquilo que conheço na arte contemporânea essa pessoa ou entidade é BANSKY. Digo pessoa pois ninguém conheçe a verdadeira identidade do artista. A principal tela de Bansky é a rua. Bansky é um graffiter, como milhares que andam por aí e que borram as paredes com tintas, umas vezes com talento, a maior parte com merda. Pois a Bansky talento não lhe falta. Movendo-se no terreno do stencil, o que permite reproduções rápidas e técnica reduzida, tem sido figura maior deste tipo de arte urbana, chegando mesmo a ser plagiado de tal icónicas que se tornam as suas imagens.


A base do trabalho é o humor, a ironia e o activismo político, muito anti-sistema, anti-hipocrisia e pró guerrilha, ficou famoso por colocar quadros seus bastante subversivos em museus ingleses (National Gallery p.e.) e esperar quanto tempo demoravam as autoridades a descobrir a fraude. Ultimamente teve uma exposição de sucesso massivo em L.A., as estrelas adoraram-no e parece que a Angelina Jolie comprou quase tudo por um balúrdio e, levou a sua ironia ao muro da vergonha construído entre Israel e a Palestina. Bansky Superstar!
Uma curiosidade, exemplo da esquizofrenia saudável que se vive nos nossos dias, foi o facto de uma das obras mais icónicas de Bansky, dois polícias a beijarem-se numa esquina em Londres, ter sido vandalizada. Até aqui nada de novo, se pensarmos que o graffiti pode ser considerado como uma forma de vandalismo da parede alheia, o próprio governo inglês o considera assim. Ora a curiosida está em que os autores da proeza foram julgados e condenados e a obra declarada de interesse público.

Aqui têm uma galeria com imagens e localização no mapa dos trabalhos de Bansky em Londres.

Sobre o graffiti e o graffitismo deixo aqui o link para a wikipédia, onde podem ler acerca da influência do graffiti em artistas com Jean-Michel Basquiat ou Keith Haring, sobre como o graffiti juntamente com o hip-hop (e eles andam quase sempre juntos) se tem torna na forma de arte mais presente na cultura ocidental ou descobrir novas formas de arte urbana, como o GRL (Graffiti Research Lab) com os graffiti luminosos e Led-Throwies (já ouve um em Lisboa).

Fiquem também com uma série de links para descobrir mais e mais imagens.
links
stencil revolution (A bíblia do género. Fantástica galeria de imagens e manual de iniciação ao stencil)
Urbana (Blog de Arte Urbana Tuga)
Os Gémeos (estes brasucas são geniais)
Alexandre Orion (Mistura de Fotografia com Pintura e Graffiti)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O sonho Magritte

René Magritte foi um pintor surrealista do início do Séc. XX. Uma época em que as pessoas ainda prestavam atenção a quadros e a pintores, talvez por via disso e não por simplesmente termos ficado mais burros é que as primeiras décadas do século passado trouxeram bem mais de novo para a pintura que as que se lhe seguiram. Mas divago! Falando de Magritte, talvez fosse bom deixar umas notas biográficas… mas disso já se encontra muito na net, deixo no final do post alguns links para os leitores mais ávidos.

Magritte dizia que quando olhava-mos para os seus quadros, nós espectadores, púnhamos sempre uma simples pergunta “que significa isto?”. E ele responde numa frase lapidar: “ Isto não significa nada, o mistério também não significa nada, é inconhecivel” inconhecivel como sinónimo de unknowable, palavra para a qual de momento me escapa melhor tradução (e assim sendo passo a inventar).


Esta é a génese da pintura surrealista e por ventura a génese de toda a arte. Tudo o que mais se diga é redundante ainda assim vou sublinhar aqui um pormenor: enquanto Salvador Dali distorce a imagem, a anatomia. Magritte nada distorce e os objectos parecem perfeitos na sua impossibilidade como se o pintor quisesse não eliminar a lógica do universo… apenas molda-la um pouco.

Enfim Magritte é um convite à imaginação e ao pensamento sobre o abstracto. Aqui fica mais um quadro, este é o homem cujo ego explode em novas e brilhantes ideias, o homem cego pela sua própria luz?



http://www.magritte.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Magritte