You Don't Mess With The Zohan
Vicky Cristina Barcelona
In Bruges
Before The Devil Knows You're Dead
The Edge Of Heaven
"O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e... fica como sempre... na mesma!" -Rafael Bordalo Pinheiro-
Três anos depois, Batman regressa, de novo com Michael Keaton no papel do homem-morcego. Apesar de já não termos Jack Nicholson, esta sequela apresenta um elencuo mais “composto”: Danny DeVito no papel do grotesco Penguin, Michelle Pfeiffer como a lângida Catwoman e Christopher Walken que encarna o megalómano Max Shreck, um homem de negócios corrupto que apoia Penguin na sua candidatura a Mayor, enquanto tentam destruir a imagem "veneratória" que a população de Gotham City tem de Batman. A misteriosa Catwoman, que apresenta um distúrbio de personalidade idêntico ao do herói, alterna ambiguamente entre o papel de vilã e o de companheira de Batman enquanto este tenta
limpar o seu nome e ver-se livre dos mal-feitores. A visão que Burton nos dá de Gotham era a que se esperava após o primeiro filme. Em relação ao de estreia, apercebemo-nos que Michael Keaton tornou a sua personagem mais trabalhada, mais complexa, mais redonda, muito fruto da ausência do Joker, que o deixa aqui como o único protagonista. A personagem feminina também é mais influente que no primeiro, dando uma carga mais psicológica à relação com o herói, e Christopher Walken, que tem como maior problema escolher os seus papéis, se tem pela frente um bom, torna-o geralmente melhor. Qual é melhor? Apesar de não serem irmãos gémeos, Burto
n mostra-os como sósias. A prova é que vivem lado a lado no nosso imaginário cinematográfico, onde não constam as duas sequelas seguintes, que roçam, a espaços, o execrável. O argumento também não é brilhante e os resquícios da década passada já não se fazem notar. Apesar de muito aguardado, após o sucesso do primeiro, só os fãs rejubilaram na estreia, talvez por causa da epidemia quase generalizada da anti-sequela. Possivelmente não se completam, mas estão bem um para o outro… 7,5/10.
Michael Keaton, que já tinha sido Beetlejuice, veste a pele do super-héroi e o “Sr. Cinema” Jack Nicholson faz o vilão do sorriso plástico, Joker. Tim Burton cria uma Gotham City escura, soturna, selvagem, perigosa e sem escrúpulos, protegida por uma policia corrupta que acaba por perder as réstias de sanidade quando Jack Napier, um individuo desfigurado após um tiroteio numa fábrica de produtos químicos, regressa disfarçado de palhaço, como o príncipe do crime, Joker. O playboy bilionário Bruce Wayne, que assistiu ao assassínio dos seus pais em criança, é agora a única esperança da caótica Gotham, personificada no vigilante homem-morcego. O filme conta ainda com Kim Basinger no papel de Vicki Vale, uma jornalista que segue os passos de Batman enquanto se apaixona por ele, ao mesmo tempo que sente despertar em si, o mesmo sentimento por um tal de Bruce Wayne. O filme foi um grande sucesso comercial e os fãs dos comics reconheceram o esforço do realizador em fazer a melhor adaptação possível ao cinema. Apesar da imensidão de seguidores e da projecção mediática que obteve, não é o melhor exemplo do thriller de acção que nos deixa preso à cadeira do principio ao fim. O rigoroso trabalho de Burton ao recriar o ambiente presente na banda desenhada, retira-lhe alguma fluência cinematográfica, mas confere-lhe um estilo único e genuíno. As personagens respiram aos quadradinhos e como o próprio Jack referiu: “The thing I like about The Joker is that his sense of humor is completely tasteless”. Nota: 7,5/10. O argumento podia ser melhor, e o guarda-roupa cheirar menos aos 80’s, ainda assim Tim Burton cria um marco (menor) na história da 7ª arte.
A Fundação Saramago anunciou ontem que o novo livro do Nobel da Literatura em 1998, “A Viajem do Elefante”, está pronto e vai ser lançado no Outono, coincidindo assim, com a estreia de “Blindness”, o novo filme de Fernando Meirelles que chega às salas a 13 de Novembro, adaptação do genial “Ensaio Sobre a Cegueira”. No último livro de Saramago editado em 2006, “As Pequenas Memórias”, contava-nos as suas memórias da infância e da adolescência. Trata-se dum livro menor, tendo em conta a relevância das suas outras obras, e já foi escrito “na mais deplorável situação de saúde, nada propícia a sentimentos de alegria”, nas palavras do autor. A doença do Nobel demorou meses a ser identificada e atingiu uma gravidade tal que se chegou a pensar o pior. Saramago conseguiu, no entanto, superar as adversidades, e terminou este novo livro de 240 páginas que demorou cerca de dois anos a escrever. Em comunicado, a sua mulher Pilar del Río falou sobre a obra: “Saramago restabelecido e com novas energias pôs o ponto final numa narração que a ele não lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem ao mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no século XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa. A ideia de escrever este livro tem mais de 10 anos e surgiu quando Saramago visitou a Áustria e entrou, em Salzburgo, num restaurante chamado "O Elefante". Não é um livro mais, é o livro que estávamos esperando e que chegou a bom porto, o leitor. Salomão, o elefante, não teve tanta sorte, mas disso não falarei, aguardemos o Outono, e então sim: aí, em vários idiomas simultaneamente, poderemos comentar páginas, aventuras, desenlaces. Os materiais da ficção, que são também os da vida”. Quem não conseguir aguentar a espera, dê um salto ao Blog sobre o senhor onde a esposa escreve. Ao que parece já se pode dar uma olhadela a uma pequena parte do livro.
"Diz-me se voltaste para ficar, exigiu atónito ao espelho. Forjaste a passagem de novo, passados anos de clausura e esquecimento. Sorriu sem querer e levou à boca o último pedaço de língua. À sua volta tudo parecia voltar ao que havia sido em tempos. Recolhido na prateleira, o retrato de Lilia voltou a cair, já corria vento pela janela e as manchas negras desapareceram por completo da sua alma, do seu corpo e do seu quarto. Pela primeira vez em décadas queria falar com alguém. Saber do mundo e das pessoas. Perguntava-se se não seria tempo de voar como os pássaros, apesar de ainda ter muito para conhecer na Terra. Lembrou-se, então, do seu velho amigo Rodrigo. Um erudito como ele, saberia com certeza aconselhá-lo a seguir o caminho mais feliz, ou então o que tivesse um fim mais feliz, ou então aquele onde a escassa felicidade não conduzisse à infelicidade. Rodrigo tinha corrido o Mundo, escalara a mais alta das montanhas, mergulhara no mais profundo dos oceanos, bebera do sangue sagrado de Deus, mas daquele que dá por vários nomes. Rodrigo era astuto, ávido de conhecimento, estivera com mais de 100 mulheres na altura e não conseguia estar quieto. Talvez tivesse medo de si próprio. Prescrito o acto, reduzida a ânsia e retratada a dor, renasceu o corno polido e brilhante de orgulho. A realidade ultrapassara a decepção. Era como um admirável mundo novo já vivido e já sofrido, com cicatrizes dissimuladas, urdidas pelo tempo. O velho boneco de trapos voltara a sorrir, já não lhe fazia falta outro botão para ver melhor."
Mais uma Web Serie, esta Neo-Zelandesa, criada em 2003 com seis a oito episódios como objectivo inicial. O sucesso da série levou a que fossem criadas cinco temporadas, num total de cem episódios. A série conta a história de duas facções militares opostas numa guerra civil que se desenrola num “box canyon” isolado no meio do nada, o Blood Gulch. Trata-se duma paródia aos jogos de acção na primeira pessoa (não sei se é assim que se diz), os FPS (first-person shooter), à vida militar e aos filmes de ficção científica. Para isso foi utilizada uma técnica que sincroniza as imagens de videojogos com diálogos áudio pré-gravados, Machinima. O cenário é retirado do jogo Halo: Combat Envolved e das sequelas Halo 2 e Halo 3. Cada episódio dura três/quatro minutos, ficam aqui os cinco primeiros para aguçar o apetite.