terça-feira, 30 de setembro de 2008

Diesel xXx

O post mais pequeno até agora, para mostrar o vídeo promocional da nova colecção da Diesel.


Tim and Eric

Não sei se já conhecem estas duas personagens, eu ouvi falar deles numa entrevista ao Michael Cera, são o Tim Heidecker e o Eric Wareheim. O seu último projecto chama-se Tim and Eric Awesome Show, Great Job! e já vai com 3 temporadas. Antes disto tiveram o Tim and Eric Nite Live e antes deste, um de animação, chamado Tom Goes to the Mayor. Ao que parece costumam ter vários convidados, principalmente no de animação. Ainda pouco vi, não tenho, por isso, opinião ainda formada, mas já me ri um bocado com a estupidez que vai pelo site deles, que se não tem tudo, pouco deve faltar. Para darem uma vista de olhos o link fica aqui. Deixo só a parvoice dos 3 vodka movies.





segunda-feira, 29 de setembro de 2008

LeYa BIS

O grupo Leya lançou uma nova colecção de livros, para ler e reler, com o nome de BIS. Com especial destaque para os autores portugueses traz-nos grandes obras intemporais, a 5,95 euros, com a finalidade de chegar a todo o público, promovendo a cultura e até o coleccionismo, pela dimensão e design dos livros. À venda em livrarias, supermercados, aeroportos e estações de comboio, já se encontram os primeiros 15 títulos que saíram a 15 de Setembro. Os próximos serão lançados em Janeiro, Maio e Setembro de 2009. Aqui está a vídeo promocional da colecção.

Os títulos já editados são:

  • Os Cús de Judas, António Lobo Antunes
  • A Paixão, Almeida Faria
  • A Conjura, José Eduardo Agualusa
  • Terra Sonâmbula, Mia Couto
  • Budapeste, Chico Buarque de Holanda
  • A Salvação de Wang-Fô e Outros Contos Orientais, Marguerite Yourcenar
  • Escuta, Zé Ninguém, Wilhelm Reich
  • Inês de Portugal, João Aguiar
  • Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco
  • Sermões, Padre António Vieira
  • Alma, Manuel Alegre
  • Novos Contos da Montanha, Miguel Torga
  • Bichos, Miguel Torga
  • A Morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstoi
  • Sapho – Costumes de Paris, Alphonse Daudet

Os próximos lançamentos:

  • José Saramago, A Jangada de Pedra
  • João Ubaldo Ribeiro, A Casa dos Budas Ditosos
  • Inês Pedrosa, A Instrução dos Amantes
  • José Cardoso Pires, O Delfim
  • Pepetela, A Montanha da Água Lilás
  • Lídia Jorge, O Cais das Merendas
  • Gabriel García Márquez, Crónica de Uma Morte Anunciada
  • Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal
  • Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela
  • Camilo Castelo Branco, Eusébio Macário
  • Germano de Almeida, O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo
  • José Gomes Ferreira, As Aventuras de João Sem Medo
  • Mário Vargas Llosa, A Festa do Chibo
  • Helena Marques, O Último Cais
  • Vinícius de Moraes, Antologia Poética
  • Trindade Coelho, Os Meus Amores
  • Ondjaki, Os da Minha Rua
  • Boris Vian, Outono em Pequim
  • Alves Redol, Barranco de Cegos
  • Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser
  • Rodrigo Guedes de Carvalho, A Casa Quieta
  • Júlio Verne, O Farol do Fim do Mundo
  • Eça de Queirós, Contos
  • John le Carré, O Fiel Jardineiro
  • Jorge Luís Borges, História Mundial da Infâmia
  • António Aleixo, Este Livro Que Vos Deixo
  • Franz Kafka, O Processo
  • Raul Brandão, Húmus
  • Júlio Diniz, Uma Família Inglesa
  • Natália Correia, A Madona
  • Vladimir Nabokov, Lolita
  • José Rodrigues Miguéis, A Escola do Paraíso
  • Tom Sharpe, A Alternativa Wilt
  • Maria Velho da Costa, Dores
  • Martin Amis, Comboio da Noite
  • Mário Cláudio, Amadeo
  • Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas
  • António Nobre,
  • Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray
  • Álvaro Guerra, Café República
  • Charles Dickens, Cântico de Natal
  • José Manuel Saraiva, Rosa Brava

domingo, 28 de setembro de 2008

Paul Newman

26 de Janeiro de 1925 - 26 de Setembro de 2008

Paul Leonard Newman era uma das grandes estrelas de Hollywood ainda no activo. A par de James Dean e Marlon Brando, era um dos maiores sex-symbols do cinema americano, da altura, tendo-se afastado de Brando (com o qual era confundido quando apareceu) pela sua capacidade de "sair de cena", coisa que o extravagante Brando nunca faria. Isto permitiu-lhe construir uma carreira sólida, com cada vez melhores papéis e interpretações. Entrou em mais de 65 filmes em 50 anos, depois da sua estreia na Broadway que o levou de imediato à televisão, ficando, mais tarde, conhecido como o dono dos olhos mais famosos da história do cinema. A sua estreia com The Silver Chalice (1954) deixo-o de tal forma desagradado que pagou uma página inteira dum jornal para pedir desculpas a toda a gente que tivesse visto a sua performance. Apesar de quase ter terminado a carreira, logo após o seu começo, o seu segundo filme, Somebody Up There Likes Me (1956), onde interpretava o boxeur Rocky Graziano, valeu-lhe as melhores críticas e rapidamente se tornou num dos reis do Box Office dos anos 60. Newman tornou-se um ícone de Hollywood, não apenas pelo bom aspecto ou sensualidade que o catapultaram rapidamente para a ribalta, mas pela sua dedicação à arte de representar, a facilidade com que dava às suas personagens um humor e uma inteligência quase ininteligíveis, que tornavam o público mais próximo do rebelde, renegado ou apaixonado que interpretava.

The Hustler

Para além de actor, também realizou e produziu alguns filmes de qualidade. Teve 9 nomeações para melhor actor e uma para melhor filme (Rachel, Rachel (1968) onde dirigia a sua mulher Joanne Woodward), levando a estatueta para casa, em 1987 (tinha recebido no ano anterior o honorário, ou prémio carreira), pelo papel de Fast Eddie Felson no filme de Scorsese, The Color of Money (1986). Este papel é uma recreação do Fast Eddie do The Hustler (1961) de Robert Rossen, de há 25 anos atrás. A imagem de Newman não se encontra apenas ligada cinema. Sempre foi um defensor dos direitos do Homem, notando-se isso, até nos papéis que mais tarde escolhia, quando tinha sobretudo que tomar uma posição política. Era um fã do automobilismo e chegou a tornar-se um piloto de sucesso, ganhando vários títulos nacionais do Sports Cars Club of America . Em 1982 decidiu comercializar uma salada que tinha inventado, e oferecido, em tempos, aos amigos, pelo Natal. Após 25 anos, a empresa gerida pela filha, Nell Newman, vende, para além da famosa salada, limonada, molho de tomate, pretzels, pipocas e vinho, entre outros. A particularidade desta empresa, centra-se no facto de todos os lucros gerados, que passam os 200 milhões de dólares, serem doados para caridade. Criou um centro recreativo para crianças com cancro ou outras doenças, outro para tratar o problema do alcóol e das outras drogas. Teve sempre um papel muito activo nos projectos, escolhendo mesmo uns chapéus especiais, para as crianças que fazem quimioterapia poderem brincar sem qualquer problema. Nos últimos anos, conseguiu continuar a desempenhar papéis de destaque, como em Nobody's Fool (1994), Message in the Bottle (1999) ou Road To Perdition (2002). Os seus trabalhos mais memoráveis, já têm no entanto uns aninhos, e contam-se entre outros: Cat on a Hot Tin Roof (1958), The Hustler (1961), Cool Hand Luke (1967), Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969) e The Sting (1973), ambos com Robert Redford, Slap Shot (1977) e The Veredict (1982). R.I.P. mister Newman.

Cat on a Hot Tin Roof

Cool Hand Luke

Butch Cassidy and the Sundance Kid

The Sting

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Jerry Seinfeld - Parte I

Mais um enorme comediante. Este dispensa apresentações. Toda a gente já viu a série, ou deu uma espreitadela. Foi considerada pela Tv Guide o melhor programa de televisão dos últimos tempos. O último episódio, exibido em 1989, foi visto por 76 milhões de pessoas, o que é um recorde. Começou a sua carreira a actuar em clubes de Nova York e sempre escreveu os textos sozinhos, não demorando muito a aparecer na televisão.

Já nos 80's no Dangerfields


1º Stand-Up na TV, no Tonight Show do Johnny Carson


No David Letterman


Estreia na HBO


No HBO on Location, ainda nos 80's

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Michael Moore's Slacking Uprising

Michael Moore tem novo filme. Com as eleições nos Estados Unidos tão próximas não seria de esperar outra coisa. Moore é um conhecido activista político e um documentarista provocador que tem centrado os seus esforços, nos últimos anos, na luta contra Bush. Os filmes mais conhecidos são: Bowling for Columbine (2002) que trata a violência nos Estados Unidos, a cultura do medo, a posse de armas e os interesses políticos por detrás disto, com a tragédia de Columbine como pano de fundo. Este valeu-lhe o Óscar. Fahrenheit 9/11 (2004) sobre o atentado às Torres Gémeas, a administração Bush e as consequentes guerras no Afeganistão e Iraque. Sicko (2007) ataca o sistema de saúde americano que parece mais empenhado no aumento dos lucros que no bem estar da população. Moore é acusado por muitos de extremista e demagogo, mostrando só o que lhe convém, mas não deixa de ser surpreendente e até divertido (um humor bem caustico) ver o homem e o seu cameraman, a interpelar toda a gente em busca de respostas. O novo filme chama-se Slacker Uprising e foi exibido no ano passado, no festival de Toronto, com o nome Captain Mike Across America. O filme documenta a viagem que Moore fez no Outono de 2004 pelos campus universitários de 62 cidades enquanto tentava mostrar aos jovens que deviam votar em John Kerry. Depois da exibição em Toronto, levou-o de novo à sala de edição, meteu mais umas partes em que detractores tentam acabar com a sua tour e acrescenta mais alguns momentos cómicos. O mais interessante, comprou os direitos de distribuição que pertenciam à The Weinstein Company e resolveu dedicá-lo aos fãs que o podem sacar de graça na internet, e sem merdas, em SlackerUprising.com. Moore espera conseguir assim, angariar dinheiro para os candidatos, através de projecções organizadas, para além de também pôr cópias à venda por 10 dólares. Moore acredita que as eleições de 2004 foram um prelúdio para o movimento Obama iniciado pelos jovens, fazendo um paralelo com o movimento trabalhista de há 70 anos.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Manoel de Oliveira

O cineasta mais idoso ainda no activo comemora este ano um centenário de existência e o Museu de Serralves decidiu homenagea-lo. Já começou a 12 de Julho, mas vai decorrer até 2 de Novembro, a primeira mostra do trabalho do realizador.

Comissariado: João Bénard da Costa / João Fernandes
Produção: Fundação de Serralves

VISITAS GUIADAS
> 24 JUL (Qui), 18h30, por João Bénard da Costa e João Fernandes
> 09 SET (Ter), 18h30, por João Fernandes
> 25 SET (Qui), 18h30, por Eduardo Paz Barroso
> 05 OUT (Dom), 18h30, por Luís Miguel Cintra
> 14 OUT (Ter), 18h30, por António Preto

> Visitas aos Sábados às 17h00 e aos Domingos às 12h00, pela equipa do Serviço Educativo.
> Visitas diárias, mediante marcação prévia.

De 18 de Setembro a 9 de Novembro vão ser exibidos no auditório todas as curtas e longas de Oliveira, para ver e rever, acompanhadas de outras grandes obras do cinema mundial, de Hitchcock a Chaplin, Buñuel, Vigo ou Dreyer.

De 7 a 10 de Outubro, entre as 18:30 e as 21:00, vai decorrer um seminário coordenado por António Preto, mestre em Teorias da Arte na FBAUL, intitulado "Manoel de Oliveira: Moderno Paradoxal". O seminário, "propõe uma revisão crítica do cinema de Manoel de Oliveira, procurando analisar os mais importantes elementos formais, conceptuais e temáticos que estruturam a sua obra, fazendo emergir, por um lado, algumas das configurações mais características da estética do autor e evidenciando, por outro, o modo como a sua produção cinematográfica dialoga com o contexto histórico em que intervém".

Ainda sem data marcada vai haver um simpósio internacional dedicado à sua obra.

A sua actriz de eleição, Leonor Silveira, no clássico Vale Abraão

Como complemento, sobre a exposição, deixo aqui o artigo da Sílvia Guerra, do Artecapital:
Sagração e sacrifício
Existe o tempo e as palavras que repetidas nos interpelam para a vida na obra cinematográfica de Manoel de Oliveira. O Tempo no seu sentido de início do mundo, o in illo tempore, materializado em àrvores seculares como a do belíssimo plano longo de Non, ou a Vã Glória de Mandar (1990), ou as àrvores do Maranhão e da Baía, em Palavra e Utopia (2000). É o tempo que traz um cheiro a terra e a calor, sonho português em África ou no Brasil. Depois existe o tempo do sacrifício na imagem do eterno retorno de D. Sebastião, mão que sangra contra a lâmina da sua espada, voluntariamente, num acto de sagração (Non, ou a Vã Glória... ). Esta imagem retrata séculos de masoquismo nacional e fixa-se na memória, e continuo a acreditar que é no inconsciente individual e colectivo que o cinema vive e cria a(s) nossa(s) história(s).
As palavras podem ser:
- A mão!
- A caixa!
- Acudam!

Vocábulos simples que servem para nos reconduzir à vida dentro e fora do seu universo ficcional, num mundo falado.

Este autor que percorreu o século do cinema permanece ainda hoje como o amado e mal-amado do público português, basta verificar os tempos curtos de exibição dos seus filmes nas salas nacionais. Conhecido pelos tempos longos do seu cinema, é no Porto, sua terra natal que encontramos a primeira celebração do seu centenário, comemorado este ano com a exposição que lhe é dedicada no Museu de Serralves. Curada em parceria por João Fernandes e João Bénard da Costa (Director da Cinemateca Portuguesa e também actor nos filmes de Oliveira), esta exposição visa “levar a conhecer a todos os públicos a obra cinematográfica de Manoel de Oliveira”. A promessa é ambiciosa e esta é a primeira vez que uma instituição museológica portuguesa se confronta com um património cinematográfico de um autor vivo, com uma produção cinematográfica de mais de 40 filmes.

Assisti à apresentação para a imprensa da exposição onde estão presentes o cineasta e os dois comissários e constatei a lucidez e o humor caústico do autor nas respostas aos jornalistas.
“P - Como é a sua relação com a morte?
M.O. – Ainda não experimentei.”

Este é o Porto da sua infância e é difícil que seja pequena a nossa expectativa. A visita é guiada por João Fernandes, Director do Museu de Serralves, que salienta não se tratar de uma mostra documental da carreira de Oliveira mas de uma escolha de excertos de filmes que convidam o público a ver os mesmos. Na sala frontal de entrada nas exposições do Museu apresenta-se Douro, faina fluvial (1931), o único filme apresentado na íntegra, numa montagem feita em 1994 com a banda sonora “Litanie du feu et de la mer” de Emanuel Nunes. Nas nossas costas exibem-se, em duas projecções de dimensões mais pequenas, Berlim, Sinfonia de uma cidade (1927) de Walther Ruthmann e O homem da câmara de filmar de Dziga Vertov (1929).

Esta sala serviria por si só como uma homenagem a um século de cinema pelas mãos de três dos seus pioneiros. A exposição prossegue com uma galeria de retratos dos homens, mulheres e crianças que, sem terem sido actores, viveram as histórias de Manoel de Oliveira, interpretando alguns dos seus filmes; este é um dos aspectos realçados nesta escolha curatorial, a ficção dentro do real ou a relação entre o documentário e a ficção.

Esta é também uma das questões que tem sido debatida desde há mais de 50 anos no mundo da crítica cinematográfica mas que assume inesperadamente uma urgência no mundo da crítica de arte contemporânea, glosada por Jacques Rancière na Artforum Magazine americana ou por Mark Nash em “Reality in the age of aesthetics”, publicado na revista inglesa Frieze. O motivo deste súbito interesse deve-se talvez ao facto de neste momento a videoarte cruzar esta fronteira, em filmes como Gravesend ( 2007) de Steve McQueen. O cinema teve que ultrapassar o simplismo desta dicotomia antes da videoarte e esta irá seguramente encontrar outras formas de resposta à questão.

São mostrados excertos de Famalicão (1939), O Pintor e a Cidade (1956), O Pão (1959) e A Caça (1963) com os seus dois finais, o censurado e o aprovado pelo regime de Salazar. A direcção de actores de Manoel de Oliveira pode ser livre, como ele declara, dizendo que deixa os seus actores viver e não representar os seus personagens, mas a sua découpage retém apenas o que a sua narração ficcional determinou. Faltaria uma galeria paralela com os retratos dos actores que permanecem ligados indissoluvelmente ao universo de Oliveira como: Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Miguel Guilherme, Leonor Silveira, Beatriz Batarda entre tantos outros, só para referir os do panteão nacional.

A relação de Oliveira com a pintura, a literatura e o teatro é outro dos aspectos evidenciados nesta exposição, e são mostrados extractos de Acto da Primavera (1963), Benilde, ou a Virgem-Mãe (1975), Passado e Presente (1972). A variedade de registos linguísticos e artísticos foi sempre explorada pelo cineasta. O filme mais popular e talvez o único que tenha chegado a todas as gerações de portugueses, pertencentes a todos os níveis culturais, Aniki Bóbó (1942), é a chave que abre o corredor esquerdo do Museu. O filme é apresentado em duas projecções diferentes (com extractos emblemáticos) e num ângulo do espaço encontra-se uma réplica da boneca da Teresinha do mesmo filme. Nesta parte da exposição o dispositivo sonoro dos diversos ecrãs e projecções simultâneas é explosivo embora não se sinta o silêncio conseguido com as novas colunas de som, tipo tapete voador, que restringem o som a uma pequena área sobre a cabeça dos visitantes. Os filmes começam a ser disparados em diversos ecrãs e descendo a rampa deparamos com alguns curiosos engenhos de cenegrafia de exposição como o olho-óculo que nos permite ver à semelhança de um buraco de fechadura cenas de Amor de Perdição (1979).

Ao fundo deste corredor os Canibais (1988) assombra-nos numa projecção gigante. Surgem depois as cabanas de projecção numa estrutura cenográfica em madeira onde podemos ver alguns excertos de filmes reagrupados de novo por diversas temáticas. A exposição termina neste andar do Museu não prosseguindo como eu esperava no andar inferior. Mas resta salientar que será apresentado um ciclo com todos os filmes deste autor no auditório do Museu durante o mês de Setembro.

Manoel de Oliveira não é um cineasta nacional-nacionalista pois a sua relação de amor com o cinema e seus realizadores foi sempre aberta e internacional. Os seus guerreiros de “Non, ou a Vã Glória...” namoram os de Ran (1985) de Kurosawa, a sua Belle Toujours (2006) não desmistifica, antes pelo contrário adensa de contradições a teia de Buñuel, a sua Ema em Vale Abraão descobre os prazeres primordiais numa nascente literária partilhada por Balzac e Agustina Bessa-Luís. Manoel de Oliveira personifica no seu cinema o espírito europeu (basta ver a utopia do seu Filme Falado) que dificilmente é atingido de uma forma tão natural e democrática na política ou na sociedade.

Este autor que nunca fez filmes declaradamente políticos exprimiu a liberdade democrática em toda a sua obra, abordando como nenhum outro cineasta português a temática deste país como uma construção linguística, cultural e política desde o tempo das Descobertas (em termos muito diferentes de Teixeira de Pascoais, na Arte de ser português). Ver O Quinto Império- Ontem como hoje (2004) é um exercício cívico para qualquer português, uma necessidade política, mais profícua do que assistir a um debate de campanha eleitoral. Mas permanece um mistério difícil de desvendar na sua obra cinematográfica. O seu cinema é difícil de ser apreendido pois é sempre uma surpresa ouvir uma Ave Maria de Schubert tocada em guitarra portuguesa numa tasca em Alfama.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Charlie Kaufman e o Synecdoche, New York

Charlie Stewart Kaufman é uma das personagens mais importantes do actual panorama cinematográfico de Hollywood aparecendo até no top 100 da Time Magazine como uma das pessoas mais poderosas, algo de relevante, tendo em conta que é o único argumentista da lista. Começou por escrever artigos cómicos para a revista da National Lampoon, passou a escrever sketches para algumas séries de televisão, mas só se tornou conhecido com o argumento de Beeing John Malkovich (realizado por Spike Jonze em 1999) que lhe valeu a primeira nomeação para os Óscares. Seguiu-se o argumento de Human Nature (primeira longa de Michel Gondry em 2001) que passou um pouco desapercebido e é provavelmente o seu prior trabalho. Em 2002 e de novo com Spike Jonze atrás da câmara, estreia Adaptation que lhe vale mais uma nomeação. Um dos melhores papéis de Nicholas Cage e a confirmação de Kaufman como escritor de top. Seguiu-se Confessions of a Dangerous Mind também em 2002. Marcou a estreia de George Clooney na realização e uma das poucas declarações de Kaufman à imprensa, a criticar Clooney por ter alterado o argumento sem o consultar. Em 2004 volta a escrever para Michel Gondry realizar e ganha o merecido Óscar de melhor argumento original com o genial Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Desaparecido há 4 anos, à muito se fala da sua nova criação que ele próprio tratou de filmar: Synecdoche, New York. Com data de estreia marcada para 14 de Novembro, promete dar que falar, como aliás já o fez na ante-estreia em Cannes. O filme conta a história de Caden, um encenador de teatro que se prepara para realizar uma nova e grandiosa peça de grande realismo e honestidade, à qual se possa entregar completamente como se da história de uma vida se tratasse. À medida que vai recriando a cidade num grande armazém alugado, e enquanto os actores vão vivendo as personagens, a sua vida íntima vai-se deteriorando. Atormentado pelo fantasma da sua ex-mulher, pela ausência da filha, pela deficiência mental da outra filha, pelo arruinar do actual casamento, pela terapeuta que em nada ajuda, pelo actor principal da peça que é perfeito demais e pela sua misteriosa doença que o faz perder sistematicamente cada uma das suas funções vitais, vai-se enterrando cada vez mais na sua obra-prima, enquanto os anos vão passando rapidamente e se vai tornando ténue a diferença entre a realidade e a ficção. A chegada de uma experiente actriz parece vir ajudar Caden a alinhar a sua veia criativa. Kaufman cria um universo negro, recheado de personagens complexas no mundo das relações e da criatividade artística. Talvez a definição de sinédoque ajude a compreender. Caden é Philipe Seymour Hoffman e as mulheres à sua volta: Samantha Morton, Michelle Williams, Catherine Keener, Emily Watson, Jennifer Jason Leigh, Hope Davies e Dianne Wiest. O trailer tardou a sair, havia apenas alguns clips, mas ficou disponível há uns três dias.

domingo, 21 de setembro de 2008

A Silver Mt. Zion

A banda canadiana, composta sobretudo por membros dos Godspeed You Black Emperor!, e criada em 1999, tem agendada a sua estreia em Portugal para dia 1 de Novembro no Passos Manuel, no Porto. A Silver Mt. Zion é uma banda de rock experimental, maioritariamente instrumental que vai com certeza encher a casa de fãs que anseiam rever os músicos depois da passagem de GYBE! pelo Teatro Sá da Bandeira. Fica aqui este vídeo do primeiro álbum.

Stumble Then Rise On Some Awkward Morning

sábado, 20 de setembro de 2008