sexta-feira, 14 de novembro de 2008

5 Filmes de Animação


Madagascar: Escape 2 Africa


O primeiro foi um sucesso e a sequela vai pelo mesmo caminho. Estreia dia 28 deste mês em Portugal. Alex, Marty, Melman e Gloria vão até África onde Alex vai ter problemas de comunicação com a família depois de tanto tempo no Zoo.



Waltz with Bashir

Estreou dia 12 de Junho em Israel, mas por cá ainda estamos à espera (lá para meados de Dezembro). Uma filme biográfico de guerra sobre a busca da identidade e das memórias perdidas na guerra do Líbano no ínicio dos anos 80.



Coraline

Uma miúda atravessa uma porta secreta que encontra na sua nova casa e descobre uma versão alternativa da sua vida. Cinema fantástico de animação trazido pelas mãos de Henry Selick, o parceiro de Tim Burton em The Nightmare Before Christmas (e na verdade, o realizador)



Monsters Vs. Aliens

A nova maluquice da Dreamworks. A Terra é visitada por extra-terrestres e a melhor forma de nos defendermos é combate-los com monstros. Seth Rogen, Paul Rudd, Reese Witherspoon, Will Arnett, Kiefer Sutherland e Stephen Colbert como presidente dos E.U.A. Funnnnny.



Ice Age: Dawn of the Dinosaurs

Dia 1 de Julho fica completa a trilogia. Ainda não se sabe muito acerca do argumento, mas já há imagens do novo de Carlos Saldanha.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esmé - Parte II

por Saki (Hector Hugh Munro)

"Pergunto-me o que andaria uma criança a fazer ali", disse Constance passados instantes. "A apanhar amoras. Obviamente." "Não me agradou o modo como berrava", continuou Constance, "parece que ainda tenho o choro dele nos ouvidos." Não trocei das fantasias mórbidas de Constance; para dizer a verdade, a mesma sensação de ser perseguida por um persistente gemido aflito, tinha-se insinuado nos meus nervos já exaustos. A precisar de companhia, chamei por Esmé, que tinha ficado algures para trás. Com uns quantos saltos enérgicos pôs-se a par de nós, e depois desapareceu à nossa frente. O acompanhamento de gemidos estava explicado. O ciganito ia firmemente, e imagino que dolorosamente, aferrado pelas presas da hiena. "Santo nome de Deus!" gritou Constance, "que raio havemos de fazer? Que vamos fazer?" Estou perfeitamente convencida de que no Juízo Final Constance há-de fazer mais perguntas do que qualquer dos Serafins jurados. "Não podemos fazer nada?", insistia ela lacrimejante, enquanto Esmé trotava ligeira à frente dos nossos cavalos cansados. Pelo meu lado fazia tudo o que me ocorria no momento. Vociferava, ralhava, adulava, em inglês, francês e em linguagem de couteiro; fazia gestos inúteis no ar com a minha chibata esfiapada; atirei ao animal a caixa das sanduíches; realmente, não sei que mais poderia ter feito. E lá continuámos a arrastar-nos no crepúsculo que se adensava, com a silhueta desengonçada arrastando-se à nossa frente, e a toada de uma música lúgubre pairando nos ouvidos. Subitamente Esmé mergulhou numas moitas espessas ao lado do caminho, onde não a podíamos seguir; o gemido cresceu para um guincho e depois calou-se completamente. Passo sempre depressa esta parte da história, porque realmente é bastante horrível. Quando o bicho se juntou de novo a nós, depois de uma ausência de alguns minutos, havia nele um ar de compreensão resignada, como se soubesse que tinha feito uma coisa que desaprovávamos, mas que sentia como perfeitamente justificável. "Como pode permitir que essa fera esfaimada trote a seu lado?", perguntou Constance. Parecia-se mais do que nunca com uma beterraba albina. "Em primeiro lugar, não posso impedi-lo", disse eu. "E em segundo lugar, pode ser muitas coisas, mas esfaimada duvido que seja neste momento." Constance estremeceu. "Acha que o pobrezinho sofreu muito?", veio mais uma das perguntas desnecessárias dela. "Tudo indica que sim", disse eu. "Por outro lado, é certo que pode ter estado a chorar por pura birra. As crianças às vezes são assim." Era quase noite cerrada quando de repente emergimos em plena estrada. O clarão de uns faróis e o chiar de um motor passaram por nós simultaneamente a uma proximidade inquietante. Um baque e o som agudo de um guincho seguiram-se um segundo depois. O carro parou, e quando dirigi a montada para o local deparei com um homem novo curvado sobre uma massa escura imóvel estendida na berma. "Matou a minha Esmé", exclamei azeda. "Lamento imenso", disse o jovem. "Sou criador de cães, e compreendo como se deve sentir. Farei o que puder para a compensar." "Faz favor de a enterrar imediatamente", disse eu. Acho que tenho o direito de lhe pedir isso." "Traz a pá, William", ordenou ao chauffeur. Via-se que funerais improvisados nas bermas das estradas eram contingências que estavam previstas. Levou algum tempo a cavar uma campa suficientemente grande. "Sim senhor, um sujeito respeitável", disse o cavalheiro, ao mesmo tempo que o cadáver era rolado para a vala. "Dá a impressão que devia ser um animal de bastante valor." "Ficou em segundo lugar, em Birmingham, na categoria de cachorros o ano passado", disse eu com desembaraço. Constance fungou ruidosamente. "Não chore, querida", disse eu numa voz entrecortada. "Foi tudo rapidíssimo. Não deve ter sofrido muito." "Por favor", disse o jovem num tom sentido, "tem de me deixar fazer alguma coisa como forma de a compensar." Recusei delicadamente, mas como ele insistia acabei por lhe dar a minha morada. Naturalmente, não dissemos palavra sobre os episódios do princípio da noite. Lord Pabham nunca anunciou o desaparecimento da sua hiena; há um ano ou dois um animal estritamente frutívoro saíra do parque dele e vira-se obrigado a pagar indemnizações em onze casos de acidentes com ovelhas e praticamente repovoara as capoeiras dos vizinhos; por isso, uma hiena à solta era capaz de equivaler a qualquer coisa à escala de um subsídio do Governo. Os ciganos mostraram-se igualmente discretos quanto ao desaparecimento do filhote; não me parece que nos grandes acampamentos eles saibam, mais filho menos filho, quantos têm ao certo. A Baronesa fez uma pausa com ar pensativo, e depois continuou: Mas a aventura teve uma sequela. Recebi pelo correio um pequeno alfinete de diamantes amoroso, com o nome de Esmé gravado num raminho de alecrim. Por acaso, também, perdi a amizade de Constance Broddle. Está a ver, quando vendi o alfinete recusei-me com toda a razão a dar-lhe qualquer parte do lucro. Fiz notar que a parte Esmé do caso tinha sido inventada por mim, e que a parte hiena pertencia a Lord Pabham, se realmente a hiena era a dele, coisa de que, evidentemente, não tenho nenhuma prova.

Problemas de Casting ou Talvez Não

Muitos dos filmes que conhecemos e se tornaram, de uma forma outra, clássicos do cinema, têm como protagonistas actores que não se apresentavam como primeira opção da produção para seguir com o projecto em frente. O que seria deles, dos filmes e das primeiras escolhas que não o chegaram a ser? A revista australiana Filmink publicou o artigo sobre o assunto que resolvi copiar, porque para além de curioso também chega a dar vontade de rir.

AL PACINO AS HAN SOLO (STAR WARS)

The Breakdown

Star Wars creator George Lucas offered the critical role of space smuggler Han Solo to almost every leading man in Hollywood. Among them was brooding method actor Al Pacino, who turned the role down flat.

What Could Have Been...

With Pacino cast as Han Solo, Harrison Ford's career as a leading man would not exist. With no Ford, influential films such as Raiders Of The Lost Ark and Blade Runner would not have had the right movie star to see them through. As far as Pacino is concerned, there is a high possibility that due to the mega success which Star Wars would have garnered, the notorious media shy actor would have retreated to the stage in order to stay away from the prying media, counting his Star Wars royalty cheques while playing Richard III for the umpteenth time.

CHEVY CHASE AS LESTER BURNHAM (AMERICAN BEAUTY)

The Breakdown

In his bid to focus on more family orientated material, veteran funny man Chevy Chase turned down the opportunity to play Lester Burnham in American Beauty. Kevin Spacey was cast in the role instead, and won a second Oscar for his trouble.

What Could Have Been...

Chase as Burnham could only go two ways: either it would be seen as a masterful move, with Chase receiving the same kind of critical acclaim that Bill Murray would a few years later for Lost In Translation; or, the film would fail due to Chase's performance, taking with it the career of director Sam Mendes. All bets should be placed on the latter.

SYLVESTER STALLONE AS AXEL FOLEY (BEVERLY HILLS COP)

The Breakdown

Action star Sylvester Stallone was all set to play Axel Foley in Beverly Hills Cop, yet Stallone's constant script changes saw the film slowly turn away from its comedic roots and into much darker territory. Concerned with the film's new direction, producers Jerry Bruckheimer and Don Simpson decided to let Stallone go, and cast rising star Eddie Murphy in the lead role. Due to Murphy's hilarious performance, Beverly Hills Cop became a worldwide success. Stallone went on to film Cobra.

What Could Have Been...

Had Bruckheimer and Simpson stuck with Stallone, Beverly Hills Cop would just be Cobra, only with a different name. As a result, one of Hollywood's more profitable and entertaining franchises (well, the first two films) would not exist, and the film career of Eddie Murphy would languish. Then again, we would not have Norbit. Or, Best Defence. Or, The Adventures Of Pluto Nash. Or...

MOLLY RINGWALD AS VIVIAN WARD (PRETTY WOMAN)

The Breakdown

Perhaps as a result of post-John Hughes disorder (cue Judd Nelson and Ally Sheedy), former Brat Pack member Molly Ringwald turned down the role of hooker with a heart of gold, Vivian Ward, in the influential romantic comedy, Pretty Woman. Ringwald has since stated that she did not like the idea of playing a prostitute. Rising actress Julia Roberts was cast instead, was nominated for an Oscar, and has since ruled the nest as the world's most popular actress.

What Could Have Been...

With no Pretty Woman, Julia Roberts' career as a lead actress would have been bleak, to say the least. It was the role that brought her natural talent, warm charisma, and those big white choppers to the masses. Ringwald, on the other hand, would have made the successful transition from popular teen actress to profitable leading lady, especially if she took on the role of Patrick Swayze's love interest in Ghost, which the poor girl also turned down.

ERIC STOLTZ AS MARTY MCFLY (BACK TO THE FUTURE)

The Breakdown

Popular TV actor Michael J. Fox was Robert Zemeckis' first choice to play adolescent time traveller Marty McFly, yet scheduling conflicts saw the role go to Eric Stoltz instead. After a week of turbulent filming, Stoltz was let go and Fox was urged to take his place. Fox agreed, simultaneously working on Back To The Future and his TV show Family Ties, averaging a few hours sleep between projects.

What Could Have Been...

Had Fox not committed to the film, and had Zemeckis given in to Stoltz's interpretation of Marty McFly, then Back To The Future would had been one of those expensive duds, fallen under the strain of too many personalities pulling in vastly different directions. Fox would still have his TV career, yet without Back To The Future a future in feature films would have been a hard task. And, no, Teen Wolf would not have boosted Fox's stock in Hollywood.

BILL MURRAY AS BRUCE WAYNE/ BATMAN (BATMAN)

The Breakdown

Warner Bros. seriously contemplated bringing back the Batman character by resurrecting the style and tone of the 1960s television series to the big screen. The role of the caped crusader was offered to comedian Bill Murray. When Tim Burton came on board, his new, dark direction had no place for Murray's patented, deadpan delivery.

What Could Have Been...

Batman was Burton's breakthrough into the mainstream, so had Warner Bros. taken the campy route and not hired him, then the career of one of cinema's great visionaries would not have come to fruition. And with no Tim Burton, there is a good chance that Johnny Depp would not have much of a career, either. As far as Murray is concerned, there is the possibility that his career would go on unscathed, although he would possibly not be so enthusiastic about his portrayal of the Dark Knight, ala George Clooney and that actor's much maligned turn in Batman and Robin.

NICOLAS CAGE AS SUPERMAN (SUPERMAN LIVES)

The Breakdown

Before Superman Returns hit the multiplexes, Warner Bros. had several projects stuck in development hell which featured the famed superhero. The one with the most momentum was director Tim Burton's Superman Lives, which was based on a script by Kevin Smith. Superman fanatic Nicolas Cage was cast in the title role, and even went so far as to attend costume fittings of the character's all-new black garb.

What Could Have Been...

Thankfully, the project never got off the ground, and spared us all the horror of witnessing Cage parade in tights! But seriously, had the film gone ahead, and had it become a success, then - much like Batman before him - the tone and style of the Superman character would have been altered for some time to come.

RICHARD GRIECO AS JACK TRAVEN (SPEED)

The Breakdown

Former 21 Jump St. and Booker pinup boy Richard Grieco turned down the role of Jack Traven in Speed, because "the script sucked". Keanu Reeves was cast in his place, and the film went on to become a box office smash, and an influential stable in the action genre. Grieco made a steady career as a C-grade leading man, while Reeves became Hollywood's new golden boy.

What Could Have Been...

Reeves' career had been gearing up to this point, and had he not been given the role of Jack Traven, then his standing as a leading man would have been given quite a battering. As far as Grieco is concerned, it's highly doubtful that the star of If Looks Could Kill would have been able to put bums on seats, no matter how many gimmicks featuring a rigged-to-blow bus were thrown at the audience.

TOM CRUISE AS EDWARD SCISSORHANDS (EDWARD SCISSORHANDS)

The Breakdown

Believe it or not, blockbuster king Tom Cruise was attached to play shy and sensitive freak Edward, in Tim Burton's Edward Scissorhands. However, Cruise's insistence that Edward should be more masculine prompted Burton to look elsewhere.

What Could Have Been...

Edward Scissorhands was TV star and teen heart throb Johnny Depp's breakthrough film role, and proved to the world that he was a major new talent. Without this film, Depp would not have landed roles in Ed Wood, or Pirates Of The Caribbean.

RYAN O'NEAL AS ROCKY BALBOA (ROCKY)

The Breakdown

With all of his hopes placed in his script about a down-and-out boxer given a one in a million shot, struggling actor Sylvester Stallone knocked back repeated offers by producers Irwin Winkler and Robert Chartoff to let a big name actor play the title role of Rocky Balboa. At one point, Stallone was offered $350,000 for the rights to his script, and for Ryan O'Neal to play Rocky. However, Stallone would not budge.

What Could Have Been...

Rocky is an immensely popular and influential film, which has been embedded in popular culture. Without Stallone portraying The Italian Stallion, there is no way that the film would have been a critical or commercial success. To some, this would be ideal, since the film's five (!) sequels would not exist. Yet without the Rocky franchise, Dolph Lundgren and Mr. T would not have careers. Think about that next time you munch into your Snickers bar while watching Red Scorpion!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Batman: Cacophony

O homem-morcego está na moda e regressa hoje em papel, numa mini-série limitada de três números: Novembro e Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009. Por trás do projecto está Kevin Smith, um amante assumido de banda desenhada e autor de filmes como Clercks, Dogma, Chasing Amy e, ainda por estrear em Portugal, Zack and Miri Make a Porno. Muitas das personagens do universo de Smith têm a sua parte de comic, bem como os argumentos da maioria dos filmes. Ele próprio interpreta Silent Bob, um dealer apreciador de metal que raramente abre a boca e entra, juntamente com o inseparável Jay, em 6 dos seus filmes. Pouco se sabe sobre Batman: Cacophony, para além das imagens que foram postas no MySpace de Smith. Apenas que ele assina a história, Walt Flanagan o desenho artístico e que Batman enfrenta Joker, Onomatopoeia, Victor Szazs e Deadshot. Esfolem-se os fãs harcore da série.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Esmé - Parte I

por Saki (Hector Hugh Monroe)

-Todas as histórias de caça são iguais - disse Clovis. - E todas as histórias de corridas de cavalos também são iguais, e todas as. - A minha história de caça não se parece em nada com qualquer outra que tenha ouvido - disse a Baronesa. - Passou-se já há bastante tempo, tinha eu vinte e três anos. Nessa altura não estava separada do meu marido; está a ver, nenhum de nós se podia dar ao luxo de pagar ao outro uma pensão. Digam o que disserem os provérbios, são mais os lares que a pobreza mantém unidos do que aqueles que destrói. Mas caçávamos sempre com matilhas diferentes. Nada disto tem a ver com a história. - Ainda não chegámos ao ponto da concentração. Suponho que houve uma concentração dos caçadores - disse Clovis. - Claro que houve uma concentração - disse a Baronesa. - Estava lá toda a gente do costume, e em particular Constance Broddle. Constance é uma daquelas raparigaças de boas cores que combinam às mil maravilhas com um cenário de Outono ou com as decorações de Natal na igreja. "Pressinto que está para acontecer alguma coisa horrível", disse-me ela, "Estou pálida?" Estava tão pálida como uma beterraba que tivesse recebido más notícias de repente. "Está mais bonita do que o normal", disse eu, "mas isso para si é tão fácil." Antes de ela ter atingido o exacto alcance do comentário, já começara a função; os cães tinham descoberto uma raposa escondida no meio de umas giestas. - Eu já sabia - disse Clovis. - Em todas as histórias de caça à raposa que ouvi havia sempre uma raposa e moitas de giesta. - Constance e eu tínhamos belas montadas - continuou a Baronesa serenamente - e não tivemos dificuldade em nos mantermos na primeira leva, embora fosse uma corrida bastante puxada. Mas lá para o fim devemos ter seguido um caminho um pouco independente, porque nos perdemos dos cães, e vimo-nos a andar à toa aos tropeções a milhas de qualquer sítio. Era uma coisa exasperante, e a minha boa disposição começava a ceder aos poucos, quando ao abrir caminho por uma sebe complacente deparámos com o alegre espectáculo dos cães em grande berraria num valado mais abaixo. "Lá vão eles - gritou Constance, e acrescentou num sobressalto: - Mas que diabo de caça será aquela?" Não era, de certeza, nenhuma raposa deste mundo. Tinha o dobro do tamanho, tinha uma cabeça curta e feia, e um pescoço grosso enorme. "É uma hiena - gritei. - Deve ter fugido do Parque de Lord Pabham." Nesse momento o bicho perseguido virou-se e enfrentou os perseguidores, e os cães (eram só uns seis pares) ficaram em semicírculo e com um ar aparvalhado. Era evidente que se tinham separado do resto da matilha na pista daquele cheiro estranho, e não estavam muito certos de como lidar com a presa agora que a tinham apanhado. A hiena saudou a nossa chegada com inequívoco alívio e manifestações de amizade. Provavelmente estava habituada a uma invariável amabilidade por parte dos humanos, ao passo que a primeira experiência com cães lhe deixara uma má impressão. Os cães pareciam mais embaraçados do que nunca enquanto a presa exibia a sua súbita intimidade connosco, e o ténue ressoar de uma trompa ao longe foi tomado como o desejado sinal para uma partida discreta. Constance, eu e a hiena ficámos sós no crepúsculo que descia. "Que vamos fazer?", perguntou Constance. "Não há como você para fazer perguntas", disse eu. "Bem, não podemos ficar aqui a noite toda com uma hiena", replicou ela. "Não sei qual é a sua ideia de conforto," disse eu, "mas não tenciono passar aqui a noite toda, mesmo sem uma hiena. Pode não ser um lar feliz, o meu, mas pelo menos tem água quente e fria, e serviço doméstico, e outras comodidades que não encontraríamos aqui. O melhor que temos a fazer é seguir para aquele renque de árvores à direita; tenho a impressão de que a estrada de Crowley fica logo a seguir." Trotámos devagar seguindo o trilho apagado de uma carroça, com o bicho seguindo alegremente atrás de nós. "Que raio havemos de fazer com a hiena", veio a pergunta inevitável. "Que é que se costuma fazer com as hienas?", perguntei mal-humorada. "Nunca tive nada a ver com nenhuma até agora", disse Constance. "Bem, eu também não. Se ao menos soubéssemos de que sexo é podíamos pôr-lhe um nome. Talvez lhe pudéssemos chamar Esmé. Dá para as duas hipóteses. Ainda havia luz suficiente para distinguirmos as coisas à beira do caminho, e a nossa atenção entorpecida teve um sobressalto de alerta quando deparámos com um miúdo cigano seminu que andava a apanhar amoras numas moitas rasteiras. A súbita aparição de duas amazonas e uma hiena puseram-no em fuga aos berros, mas seja como for dificilmente poderíamos obter qualquer informação geográfica útil de tal fonte; mas havia uma probabilidade de virmos a encontrar um acampamento de ciganos pelo caminho. Esperançadas, seguimos caminho, mas sem que nada acontecesse por mais quilómetro e meio uma milha ou coisa assim.

Dragonball - The Movie

Dragon Ball, o famoso manga japonês de Akira Toryiama vai chegar para o ano às salas de cinema. Foi publicado inicialmente em 42 volumes e rapidamente adaptado para a televisão. Na versão anime deu origem a duas séries: Dragon Ball e Dragon Ball Z. Seguiu-se uma terceira, Dragon Ball GT, cuja história já não é baseada no manga. Tendo como base elementos da mitologia japonesa, Akira criou um mundo fantástico de seres imaginários repleto de acção e aventuras. A série foi um sucesso em todo mundo, sendo líder de audiências no Japão durante 11 anos. No que diz respeito ao filme, vai ser produzido pela 20th Century Fox que tinha marcado a estreia para 15 de Agosto de 2008, mas como não tiveram tempo para a pós-produção remarcaram para 8 de Abril de 2009 nos Estados Unidos. No Japão vai estrear em Março e será o primeiro duma trilogia, embora isso dependa obviamente dos lucros gerados pelo primeiro filme que já vem um bocado atrasado em relação à série, até porque os direitos já foram comprados em 2002. A história é uma adaptação da primeira parte da saga e gira à volta de um jovem Son Goku (na altura no secundário) à procura das bolas de cristal (dragon balls) espalhadas pelo planeta. Depois da morte do seu avô Gohan que lhe deixou uma das bolas de recordação, Goku parte à procura do grande mestre Roshi e das outras 6 bolas, com a ajuda de Bluma, uma rapariga empertigada com queda para a tecnologia, que acabou de inventar um radar que permite detectar as míticas bolas. Durante a aventura vão-se cruzar com várias personagens, umas boas e outras más, que acabam por se unir contra o mal que dá pelo nome de Lord Piccolo (o nosso Coraçãozinho de Satã), um poderoso extra-terrestre com planos para dominar o mundo. O realizador é James Wong, o mesmo de Final Destination 1 e 3, e de The One (pancada em universos paralelos com Jet Li), o que não augura grande coisa... Justin Chatwin é Son Goku, escolhido após casting ainda está a iniciar a carreira. Como se pode ver na imagem, apenas Yun-Fat Chow é um velho conhecido, a ver vamos. Já foi lançado um teaser (em baixo), mas também avisaram que muita coisa foi refeita e por isso algumas imagens cortadas. O trailer oficial é exibido dia 12 de Dezembro. Se quiserem estar a par das novidades vão a dbthemovie, podem, por exemplo, ver uma foto do Son Goku a comer a sua adorada coxa de frango (não, dum bicho maior) em cima duma mota...

Teaser

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Australia em cheque


Já aqui foi posto o trailer do novo filme do australiano Baz Luhrmann que dirigiu Romeu + Julieta e Moulin Rouge!. Chama-se Australia e é um drama romântico de aventuras em tempo de guerra, com aspirações a épico. Os protagonistas são nomes fortes como Nicole Kidman e Hugh Jackman, com quem Luhrmann conta para atingir o estrelato que Moulin Rouge! quase lhe conferiu. O musical moderno foi um sucesso de bilheteira a nível mundial, resultado dum projecto longo e arrojado do realizador e duma jorrada de "imagens mtv" que nem sempre resultam em arte, mas têm retorno em números com muitos zeros. Russell Crowe era o eleito para fazer par com Kidman, mas Jackman não levará menos fãs às salas que o ex-gladiador. Como o filme ainda não estreou parece um bocado injusto este discurso negativo, no entanto, o filme tem data marcada para dia mundial do consumismo (ok, não se compra, mas recebe-se o que se comprou), dia 25 de Dezembro, altruisticamente marcado para que toda a gente o possa ver. Claro que é normal as grandes produtoras agendarem lançamentos para esta altura, pudera. Claro que Luhrmann também tem direito, como outros, a encher os bolsos de pasta. O que lhe fica mal é vir dizer recentemente que alterou o fim da história, de modo a lucrar mais no box office, com um final mais feliz que o inicial. Palavras do próprio que caíram mal a muita gente que faz o que faz por amor a um ideal. Clássicos como Casablanca, Bonnie and Clyde ou E.T. não teriam atingido o mesmo estatuto com um final mais feliz. Espero que o tiro não lhe saia pela culatra e compre muitos jactos para viajar com a família. Já que isto vai numa de desejos, também gostava que criassem o Razzie Baz Luhrman para a personalidade mais vendida do ano no cinema.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Canção de Lisboa faz 75 anos


Parabéns ao cinema português. Em meados de 1930 são estudadas, pela primeira vez, as condições para a criação de uma indústria cinematográfica em Portugal. Cerca de um ano depois é apresentado um relatório onde, entre outras coisas, é sugerida a criação de um estúdio onde os artistas portugueses poderiam fazer filmes portugueses. Em Maio de 1932 são concluídas as negociações com a Tobis Klangfilm, sendo criada a Companhia Portuguesa de Filmes Sonoros com um capital inicial de 1.000.000$00 que no ano seguinte passou para o dobro, na altura da chegada da aparelhagem de som a Portugal. No dia 17 de Junho de 1933 começam as filmagens de A Canção de Lisboa que a 7 de Novembro estreia no São Luiz com a seguinte frase no cartaz: "O primeiro filme português feito por portugueses". Foi o primeiro filme sonoro português e inaugurou o género da comédia portuguesa que prevaleceu nas décadas de 30 e 40, ao que geralmente chamam a época dourada do cinema português. Curiosamente o realizador era arquitecto e não cineasta, chamava-se José Cottinelli Telmo e foi o seu único filme. Outra curiosidade é o facto do melhor amigo do protagonista (Vasco Santana) ser um jovem Manoel de Oliveira que na altura dava os primeiros passos na realização. Beatriz Costa e António Silva são os outros "principais" neste despoletar da história da 7ªa arte em Portugal. Mal estreou foi um grande sucesso, tanto cá, como no Ultramar e Brasil, o que permitiu pagar logo grande parte das instalações que Tobis estava a construir. As músicas ficaram de imediato no ouvido e na boca das pessoas e até os cartazes do Almada Negreiros fizeram sucesso. Obviamente está muito deslocado do nosso tempo, mas quem não viu não faz mal em ver. Imaginem a altura e os meios ao dispor. Os actores estão muito bem, há piadas que não ficam velhas e a música popular é um catalisador para a boa disposição que o filme transmite. Talvez não seja o melhor do género, mas é um dos melhores. Chapéus há muitos, mas filmes destes não. Nota: 7,5/10

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sábado 8 no Indústria Porto

Já aqui tinha deixado em tempos o vídeo Hitch Hicker Choise dos Minilogue que é uma maravilha da animação à moda antiga. Este Animals também é uma maravilha (foi o mesmo criador) e o mais ambiental six arms and one leg só demonstra todo o cuidado que põem na componente audiovisual. É de ver também o site oficial e todo o imaginário animalesco de brincar que criaram para o álbum que se chama nem de propósito Animals.


Animals


Six arms and one leg

E já agora o poder interactivo do Youtube é tão grande que alguém teve a paciência para imitar o vídeo do Hitch hickers em barro.


A não perder (Eu acho que sim com muita pena) sábado naquela cave num centro comercial da Av. do Brasil.

Heidi Klum Rocks on Guitar Hero World Tour!

O Guitar Hero World Tour é um videojogo sobre música que saiu no dia 28 de Outubro nos Estados Unidos. Já é a quarto jogo da série (também chamado de Guitar Hero IV) e saiu para a PlayStation 2, PlayStation 3, Wii e Xbox 360. Para PC, parece que a Microsoft anda a tratar do assunto. O jogo que já nas versões anteriores permitia o uso de um comando em forma de guitarra, vem melhorado com controles de bateria e microfone para precurssão e voz. Podem-se criar músicas na versão de estúdio, mas sem a parte da voz por razões técnicas e legais. Os jogadores podem compartilhar as suas canções. No modo carreira, há uma grande lista de músicas rock, que engloba todos os sub-géneros, para saber tocar e ainda as Guitar Batlles contra os senhores Ted Nugent e Zakk Wylde. A promoção ao jogo tem sido feita por celebridades, acho que o Kobe Bryant e Michael Phelps já entraram, não vi. A que gostei de ver foi esta: